Justiça marca primeira audiência de Pablo Marçal por expedição no Pico dos Marins

Pablo Marçal durante expedição no Pico dos Marins, em Piquete
Pablo Marçal durante expedição no Pico dos Marins, em Piquete. Foto: Reprodução

A Justiça marcou para o dia 30 de setembro a primeira audiência de instrução e julgamento da ação em que o influenciador digital, coach e político Pablo Marçal é réu por colocar em risco a vida de 32 pessoas durante uma expedição ao Pico dos Marins, em Piquete, no Vale do Paraíba.

A audiência será realizada às 13h pela Vara Única da Comarca de Piquete. Nesta fase do processo serão ouvidas testemunhas, o réu será interrogado e poderão ser solicitadas diligências complementares. Após essa etapa, as partes apresentarão as alegações finais antes da sentença, que ainda não tem data para ser proferida.

O caso

O caso é referente à expedição realizada nos dias 4 e 5 de janeiro de 2022. Segundo o Ministério Público de São Paulo, Marçal coordenou a subida ao Pico dos Marins em condições climáticas adversas, com chuva, neblina, ventos de até 100 km/h e baixa visibilidade.

Ainda de acordo com a denúncia, um dos guias contratados alertou que não havia condições de prosseguir, mas o grupo continuou a caminhada. Durante a madrugada, um dos participantes acionou o resgate.

O Corpo de Bombeiros localizou os dois grupos na manhã do dia 5 de janeiro. Conforme o Ministério Público, os participantes estavam sem guias, com roupas inadequadas para a travessia, molhados e em situação de risco.

Marçal responde a 32 acusações com base no artigo 132 do Código Penal, que trata de expor a vida ou a saúde de outra pessoa a perigo direto e iminente.

Em maio de 2025, a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público. Na decisão, a magistrada destacou fatores como o período inadequado para a escalada, as condições climáticas desfavoráveis, a falta de equipamentos apropriados e a ausência de acompanhamento de guias durante parte da expedição.

À época, o Ministério Público chegou a propor um acordo para evitar a ação penal, mediante o pagamento de R$ 272 mil, equivalente a 180 salários mínimos. Como não houve manifestação da defesa, a denúncia foi recebida e o processo teve prosseguimento.

Outro lado

Procurada pela reportagem da CBN Vale, a assessoria de imprensa de Pablo Marçal não se manifestou até a publicação da matéria.