Representante do Banhado contesta Prefeitura e diz ser vítima de extorsão

Renato Leandro, representante do Banhado, fala sobre manifestações contra demolição de casas, e diz ser vítima de extorsão
(Foto: Marcelo Rocha/CBN Vale) vítima de extorsão

A Rádio CBN Vale entrevistou nesta quinta-feira (25), Renato Leandro Vieira, membro da associação dos moradores do Banhado, que esteve presente no momento de uma ação executada pela Prefeitura de São José dos Campos, na última terça-feira (23), que resultou na demolição de casas do Jardim Nova Esperança.

• Leia mais notícias da região clicando aqui

A prefeitura alega que a gestão municipal identificou algumas casas abandonadas no Banhado, que poderiam ser utilizadas por criminosos em diversos delitos, além de configurar risco à saúde pública. A demolição também foi concluída, já que nenhum morador teria se apresentado como proprietário ou responsável pelos imóveis.

Na quarta-feira (24), o Jornal CBN Vale 1ª Edição conversou com o Secretário de Apoio Social ao Cidadão, Antero Baraldo, que justificou a ação da prefeitura para a derrubada de casas, e nesta quinta, o representante dos moradores do Banhado teve a oportunidade de apresentar sua versão do ocorrido.

Segundo Renato, os moradores foram surpreendidos na manhã de terça, quando a prefeitura executou a derrubada de três casas (a prefeitura de SJC anunciou que sete casas foram demolidas), sem mandado judicial.

Casas com moradores

Renato contesta a versão da prefeitura que afirmou que todas as casas derrubadas estavam vazias. Segundo o membro da comunidade do Banhado, “Não tem habitações vazias lá”, sendo que todas as casas possuiriam moradores.

Em uma das casas, havia uma mulher com sete crianças, e em outra, a moradora, que estava no dentista na hora da ação, foi avisada de que seu imóvel estaria sendo derrubado, diz Renato.

Ele também afirma que os proprietários de duas das três casas demolidas, apresentaram o cadastro feito junto à prefeitura que provaria a responsabilidade pelos locais, mas que mesmo assim, a demolição prosseguiu.

A Rádio CBN Vale solicitou cópia dos referidos documentos ao representante da comunidade do Banhado e aguarda pelo retorno.

Proposta da Prefeitura recusada

Renato argumenta que um dos objetivos da comunidade é conseguir a regularização da região do Banhado com base no Plano Popular de Regularização Fundiária, considerada por eles uma proposta mais completa que outras sugestões já apresentadas pela prefeitura, que em retrospectos anteriores, teria oferecido moradias de “péssima qualidade” em locais que ainda não teriam sido regularizadas.

Manifestação de populares e ameaça de extorsão

Após as demolições ocorridas na manhã de terça, moradores do Banhado protestaram pelas ruas e avenidas da cidade. Já próximo à Ponte Estaiada, um motorista foi agredido após ter avançado com seu veículo contra os manifestantes.

Após esse fato, Renato Leandro disse ter sido vítima de extorsão no valor de R$ 10 mil (10 k), após ameaça recebida pelo WhatsApp. Ele teria recebido mensagens com imagens da manifestação com o seguinte texto:

“Paga 10k até amanhã as 10hs ou o seu prejuízo será bem maior”

Justiça pede explicações à Prefeitura

A justiça, em caráter de urgência, deu um prazo de cinco dias para que a Prefeitura de São José dos Campos dê explicações sobre a operação que resultou na demolição de casas.

Na decisão, a Juíza Naira Assis Barbosa, da 2ª Vara da Fazenda de São José dos Campos, mantém proibidas eventuais demolições no chamado “núcleo congelado” do Banhado, e que se houver descumprimento da ordem judicial, a prefeitura poderá ser responsabilizada civil e criminalmente. O despacho atende ao pedido da Sociedade Amigos de Bairro do Jardim Nova Esperança.

Especulação imobiliária no Banhado

Na opinião de Renato Leandro, caso a região do Banhado seja finalmente desocupada, o destino do local poderá ficar nas mãos da especulação imobiliária, beneficiando uma pequena parcela da população economicamente favorecida, com a construção, por exemplo, de residenciais de alto padrão.

Ouça a matéria de Marcelo Rocha: