PMs executam a tiros jovem rendido e alteram cena do crime no bairro São Judas em São José

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( Foto: Reprodução/Corregedoria da Polícia Militar)

Policiais Militares do Baep (Batalhões da Polícia Militar do Estado de São Paulo) foram flagrados por câmeras acopladas nas próprias fardas executando um jovem desarmado e rendido, durante perseguição que aconteceu após cinco suspeitos armados roubarem um mercadinho no bairro São Judas Tadeu, em São José dos Campos, no dia 9 de setembro.

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Após os cinco jovens assaltarem o mercadinho, eles foram flagrados e perseguidos por uma viatura do Baep. O motorista perdeu o controle do carro e acabou colidindo em um poste, quando três dos jovens se renderam. Um deles fugiu a pé, mas foi rendido e preso.

Toda ação foi gravada pelas Câmeras Operacionais Portáteis (COP), instaladas nos coletes dos PMs. O Fantástico teve acesso exclusivo às imagens e o caso tomou repercussão nacional neste último domingo (28).

Após o acidente na fuga, a câmera mostra que o carona, Vinicius David, conhecido como Tubarão, de 21 anos, coloca as duas mãos para fora da janela, mostrando que não estava armado. O policial pede que ele abra a porta e David se rende com as duas mãos na cabeça. Na sequência, três disparos são feitos com fuzil em uma curta distância. Os tiros atingem o rosto, abdômen e perna da vítima, que morre na hora.

Outro jovem também foi baleado na região do abdômen, mas usava colete a prova de balas e sobreviveu. Do grupo, ele era o único que estava armado, mas também não fez disparos contra os policiais. O policial que fez o disparo contra esse jovem, fala após a ação que “se soubesse teria atirado na cabeça”.

Além disso, um dos policiais, mesmo sendo filmado, pega a arma do outro jovem e altera a cena do crime, jogando o revólver sobre o corpo da vítima morta para forjar uma versão de resistência e troca de tiros.

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( Foto: Reprodução/Corregedoria da Polícia Militar)

Na versão da PM, quando os policiais tentaram prender os indivíduos, dois deles apontaram a arma de fogo em direção aos militares, que revidaram com tiros. Além disso, foi descoberto que o veículo envolvido no caso foi roubado em um crime ocorrido na noite anterior, no bairro Setville, em São José dos Campos. Segundo a PM, os suspeitos vinham praticando diversos roubos na região.

A versão falsa é contada por um policial aos oficiais e outros PMs que chegam depois à cena do crime. Os diálogos foram capturados pelas câmeras acopladas nas fardas. Durante a gravação, é possível ver que eles tapam a lente para que o equipamento não flagre algumas cenas.

As imagens são parte da investigação da Corregedoria que aponta que os PMs envolvidos praticaram crimes de homicídio, fraude processual e prevaricação. É possível ver que para forjar uma reação da vítima, os policiais alteraram a cena do crime colocando uma arma sobre o corpo do jovem e outro revólver no local.

Protestos por conta do jovem morto

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(Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

A morte do jovem gerou revolta nos moradores da Comunidade Santa Cruz, região central de São José dos Campos, no fim da tarde no dia 13 de setembro. Um protesto na Avenida Senador Teotônio Vilella, ‘Fundo do Vale’, gerou trânsito na região e depredação de veículos. Manifestantes montaram uma barricada de pneus em uma das pistas e atearam fogo neles. Além disso, veículos que passavam próximo ao local do protesto foram queimados pelos moradores da comunidade.

O que diz a PM

(Foto: Reprodução)

De acordo com a Polícia Militar, os policiais militares estão afastados da atividade operacional e o caso é analisado pela Justiça.

O que diz a defesa do jovem morto

jovem morto
(Foto: Reprodução/Facebook)

De acordo com o advogado que defende a família da vítima, Doutor Thiago Marques, as imagens demonstraram com clareza os crimes praticados pelos policiais militares. “Eles sabem que agiram de maneira incorreta, tanto que alteraram a cena do crime para apresentarem uma atuação em legítima defesa. A maneira ágil e fácil como tudo isso foi feito, demonstra que eles já estão habituados com a encenação”, disse a CBN Vale.

Para o advogado, os crimes praticados pelos policiais são gravíssimos, revelando a periculosidade dos agentes. Houve combinação e unidade de intenções entre todos os policiais militares envolvidos, permitindo concluir que há participação de todos, nos delitos de homicídio doloso, tentativa de homicídio, prevaricação, fraude processual, e acredita também, que por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A condenação por todos esses crimes somados, podem atingir o patamar de 61 anos de pena.

Dr. Thiago Marques disse a CBN Vale que a prisão preventiva dos policiais se mostra necessária. “Logo e durante o crime, os policiais tentaram obstruir provas e induzir testemunhas. O sentimento de tranquilidade social se vê ameaçada com a liberdade desses policiais”, finalizou.

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