De São José dos Campos, Julia Lopes
CBN Vale do Paraíba | 16.09.2021

A defesa da família do jovem, de 21 anos, Vinicius David, conhecido como Tubarão, diz que o rapaz foi executado pela Polícia Militar mesmo depois de ter se rendido, após perseguição no bairro São Judas Tadeu, em São José dos Campos, na última quinta-feira (9). Ele teria levado três tiros.
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A perseguição aconteceu após cinco suspeitos armados roubarem um mercadinho no bairro Flamboyant. O carro acabou colidindo em um poste e segundo a PM, ao tentar prender os indivíduos, dois deles apontaram a arma de fogo em direção aos militares, que revidaram com tiros.
O jovem acabou morrendo no local e outro adolescente foi baleado, mas sobreviveu, pois usava colete a prova de balas. Além disso, foi descoberto que o veículo envolvido no caso foi roubado em um crime ocorrido na noite anterior (8), no bairro Setville, em São José dos Campos. Segundo a PM, os suspeitos vinham praticando diversos roubos na região.

O que diz a defesa
O advogado Thiago Marques foi procurado pelos familiares da vítima para ajudar a investigar o caso. Segundo a defesa, as versões que estão no inquérito são conflitantes, já que policiais disseram que os suspeitos estavam com três armas de fogo. Mas, para o advogado, essa versão não bate com o que está sendo investigado. Ele acredita que os agentes estariam tentando forjar os suspeitos.
Até o momento, pelo que foi apurado pela defesa, durante a fuga o veículo colidiu no poste. Os cincos rapazes que se encontravam no carro já estavam rendidos e sem as armas. Segundo o advogado, eles portavam duas armas e durante a perseguição acabaram dispensando os revolveres.
Thiago conta que o tiro que atingiu a cabeça de Vinicius mostra que a posição que ele estava não era de troca de tiros, e que o braço levantado do jovem prova que ele estava rendido. Porém, segundo a Polícia Militar, Vinicius estava insistindo em levar a mão na cintura porque teria um revólver escondido. Mas a defesa alega que os suspeitos teriam dispensado todas as armas de fogo.
Além disso, o advogado conversou com um adolescente que estava dentro do carro e que não conseguiu fugir. Ele também foi baleado com um tiro na barriga, mas usava colete a prova de balas e acabou sobrevivendo.
O advogado disse, ainda, que o revolveres dos policiais estariam bem próximos aos jovens e que não havia nenhum obstáculo entre eles. Por conta disso, a troca de tiros, para a defesa do jovem, não teria ocorrido, pois não havia nenhuma marca de tiros na lataria do veículo. A defesa segue aguardando os laudos e as gravações das imagens por câmeras que deveriam estar acopladas aos coletes dos PM’s.
O que diz a Polícia
A corregedoria da Polícia Militar informou a Polícia Civil que tomará as medidas cabíveis e que os policias militares envolvidos na ocorrência seriam presos de forma administrativa.
Protestos
A morte do jovem gerou revolta nos moradores da Comunidade Santa Cruz, região central de São José dos Campos, no fim da tarde da última segunda-feira (13). Um protesto na Avenida Senador Teotônio Vilella, ‘Fundo do Vale’, gerou trânsito na região e depredação de veículos. Manifestantes montaram uma barricada de pneus em uma das pistas e atearam fogo neles. Além disso, veículos que passavam próximo ao local do protesto foram queimados pelos moradores da comunidade.

Ouça a reportagem de Julia Lopes: