Defesa da família de jovem morto pela PM no bairro São Judas diz que ele teria sido executado em São José

De São José dos Campos, Julia Lopes
CBN Vale do Paraíba | 16.09.2021

(Foto: Reprodução/Facebook)

A defesa da família do jovem, de 21 anos, Vinicius David, conhecido como Tubarão, diz que o rapaz foi executado pela Polícia Militar mesmo depois de ter se rendido, após perseguição no bairro São Judas Tadeu, em São José dos Campos, na última quinta-feira (9). Ele teria levado três tiros.

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(Foto: Reprodução)

A perseguição aconteceu após cinco suspeitos armados roubarem um mercadinho no bairro Flamboyant. O carro acabou colidindo em um poste e segundo a PM, ao tentar prender os indivíduos, dois deles apontaram a arma de fogo em direção aos militares, que revidaram com tiros.

O jovem acabou morrendo no local e outro adolescente foi baleado, mas sobreviveu, pois usava colete a prova de balas. Além disso, foi descoberto que o veículo envolvido no caso foi roubado em um crime ocorrido na noite anterior (8), no bairro Setville, em São José dos Campos. Segundo a PM, os suspeitos vinham praticando diversos roubos na região.

(Foto: Reprodução/Facebook)

O que diz a defesa

O advogado Thiago Marques foi procurado pelos familiares da vítima para ajudar a investigar o caso. Segundo a defesa, as versões que estão no inquérito são conflitantes, já que policiais disseram que os suspeitos estavam com três armas de fogo. Mas, para o advogado, essa versão não bate com o que está sendo investigado. Ele acredita que os agentes estariam tentando forjar os suspeitos.

Até o momento, pelo que foi apurado pela defesa, durante a fuga o veículo colidiu no poste. Os cincos rapazes que se encontravam no carro já estavam rendidos e sem as armas. Segundo o advogado, eles portavam duas armas e durante a perseguição acabaram dispensando os revolveres.

Thiago conta que o tiro que atingiu a cabeça de Vinicius mostra que a posição que ele estava não era de troca de tiros, e que o braço levantado do jovem prova que ele estava rendido. Porém, segundo a Polícia Militar, Vinicius estava insistindo em levar a mão na cintura porque teria um revólver escondido. Mas a defesa alega que os suspeitos teriam dispensado todas as armas de fogo.

Além disso, o advogado conversou com um adolescente que estava dentro do carro e que não conseguiu fugir. Ele também foi baleado com um tiro na barriga, mas usava colete a prova de balas e acabou sobrevivendo.

O advogado disse, ainda, que o revolveres dos policiais estariam bem próximos aos jovens e que não havia nenhum obstáculo entre eles. Por conta disso, a troca de tiros, para a defesa do jovem, não teria ocorrido, pois não havia nenhuma marca de tiros na lataria do veículo. A defesa segue aguardando os laudos e as gravações das imagens por câmeras que deveriam estar acopladas aos coletes dos PM’s.

O que diz a Polícia

A corregedoria da Polícia Militar informou a Polícia Civil que tomará as medidas cabíveis e que os policias militares envolvidos na ocorrência seriam presos de forma administrativa.

Protestos

A morte do jovem gerou revolta nos moradores da Comunidade Santa Cruz, região central de São José dos Campos, no fim da tarde da última segunda-feira (13). Um protesto na Avenida Senador Teotônio Vilella, ‘Fundo do Vale’, gerou trânsito na região e depredação de veículos. Manifestantes montaram uma barricada de pneus em uma das pistas e atearam fogo neles. Além disso, veículos que passavam próximo ao local do protesto foram queimados pelos moradores da comunidade.

(Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Ouça a reportagem de Julia Lopes: