Justiça cobra plano da Prefeitura de SJC para regularizar mais de 200 bairros

Justiça cobra plano da Prefeitura de SJC para regularizar mais de 200 bairros

Justiça cobra plano da Prefeitura de SJC para regularizar mais de 200 bairros
Foto: Divulgação / PMSJC

A Justiça determinou que a Prefeitura de São José dos Campos apresente, até a audiência marcada para 3 de dezembro, todos os dados sobre os núcleos urbanos irregulares do município. A decisão atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública de São Paulo, que afirmam que o Plano Municipal de Regularização Fundiária, previsto desde 2018, nunca saiu do papel.

De acordo com a decisão, a juíza Laís Helena de Carvalho Scamilla Jardim entendeu que a falta de informações impede o avanço das políticas de habitação e, portanto, prejudica milhares de famílias que vivem em áreas precárias. Além disso, ela destacou que, sem o plano de regularização dos bairros, o município descumpre normas do Plano Diretor e vai contra a própria Constituição, que estabelece a obrigação de ordenar o uso do solo urbano.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, como o município admitiu já estar trabalhando no plano e disse não se opor ao pedido, a magistrada decidiu conceder a liminar e, ao mesmo tempo, permitir que a entrega dos dados ocorra durante a audiência de conciliação. Assim, a Justiça busca um caminho de acordo, ao mesmo tempo em que garante que as informações finalmente sejam apresentadas.

O que a Prefeitura terá que apresentar

 A decisão determina que o município leve à audiência:

  • Lista completa de todos os núcleos informais identificados na cidade;
  • Classificação preliminar de cada área conforme o tipo de regularização;
  • Critérios usados para essa classificação;
  • Status atualizado das regularizações já iniciadas;
  • Etapas cumpridas e pendentes em cada núcleo;
  • Relatório anual previsto no Plano Diretor referente a 2019–2024.

 Por que a Justiça interveio

Segundo a ação, cerca de 200 bairros permanecem sem regularização, o que expõe famílias a insegurança jurídica, risco de demolições e falta de infraestrutura básica. Ainda conforme o pedido, essa ausência de planejamento impacta todo o sistema urbano, já que dificulta o controle social, afeta o orçamento público e pressiona o Judiciário com ações sobre moradia.

A juíza afirmou que o caso atende aos requisitos de urgência porque, enquanto não houver planejamento, a falta de ação pode gerar insegurança para os moradores e sobrecarga do Poder Judiciário. Além disso, ela citou precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizam a Justiça a agir quando há omissão prolongada do Poder Público, principalmente em temas que envolvem direitos fundamentais, como o acesso à moradia.

 Próximos passos no processo

  • Audiência de conciliação: 3 de dezembro de 2025, às 14h
  • Prazo para contestação: começa a contar apenas após a audiência
  • Objetivo da reunião: tentativa de acordo para definir cronograma e obrigações

O que diz a prefeitura

A reportagem da CBN Vale entrou em contato com a Prefeitura de São José dos Campos para comentar o pedido de regularização dos bairros feito pelo MP e Defensoria, e aguarda retorno para atualizar esta matéria.