Investigado em Andorra, Felicio Ramuth afirma que recursos no exterior são declarados

Decreto é assinado pelo Governo de São Paulo, atribuindo Felicio Ramuth para a coordenação de ações na 'cracolândia'
(Foto: Governo SP)

O vice-governador de São Paulo e ex-prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSD), é alvo de uma investigação preliminar na Justiça de Andorra, na Europa. O caso apura suspeita de lavagem de dinheiro e levou ao bloqueio de US$ 1,4 milhão (cerca de R$ 7,2 milhões) mantidos em uma conta no país. Em nota, Ramuth afirma que “não existe nenhuma acusação formal” e que “todos os recursos foram devidamente declarados”.

A investigação começou em 30 de maio de 2023, depois que o Ministério Público de Andorra recebeu um relatório de inteligência financeira. A partir daí, a Justiça determinou diligências e o bloqueio dos valores como medida cautelar.

Em nota, encaminhada ao Jornal O Globo, Felicio afirmou:

“Não existe nenhuma acusação formal sobre minha esposa ou sobre mim, (mas) sim uma investigação que envolve o banco. Todos os esclarecimentos já foram prestados diretamente em Andorra, inclusive com a cópia do Imposto de Renda, comprovando origem. Todos os recursos estão devidamente declarados e com todos os impostos pagos no Brasil, oriundos de atividades privadas, e depositados integralmente em período anterior (2009 a 2011) ao início da minha vida política. (…) Os recursos existem, possuem origem lícita (inclusive anterior à minha trajetória política) e estão devidamente declarados”

Justiça de Andorra fala em “trama de branqueamento”

No processo, a juíza Azahara Cascales Ruiz menciona a apuração de uma “trama de branqueamento de capitais”. Segundo os autos, contas bancárias teriam registrado movimentações ligadas a esse suposto esquema.

Uma dessas contas, atribuída ao casal, estaria vinculada à empresa Visio Corporation Ltd S.A., aberta no Panamá em 2009. De acordo com a investigação, houve transferências internacionais feitas por empresas das quais não haveria informações detalhadas, com origem em países como Estados Unidos e Luxemburgo.

Felicio nega irregularidades. Também ao O Globo, disse que a empresa foi usada para proteção patrimonial e planejamento sucessório, prática que, segundo ele, é comum e legal. Afirma ainda que os recursos foram movimentados entre 2009 e 2011, antes de sua entrada na vida pública.

Bloqueio e cooperação internacional

O bloqueio foi determinado em 8 de junho de 2023. Felicio Ramuth e a esposa, Vanessa, foram ouvidos presencialmente em Andorra em 2 de outubro do ano passado. A oitiva foi gravada, mas não divulgada.

O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Brasil, após pedido de cooperação internacional para localizar e notificar os investigados. O processo em análise no STJ trata apenas desse pedido de cooperação, não do mérito da investigação, que segue em andamento em Andorra.

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(Foto: Reprodução/Governo do Estado de São Paulo)

Declaração de bens no Brasil

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na campanha de 2022, quando foi eleito vice-governador na chapa de Tarcísio de Freitas, Ramuth declarou R$ 1,4 milhão em bens. Desse total, R$ 9,3 mil estavam em conta bancária no Brasil, R$ 67 mil em espécie, e não havia registro de valores no exterior.

A defesa sustenta que todos os recursos bloqueados estão declarados à Receita Federal e que os impostos foram pagos no Brasil. O governo de São Paulo também afirmou que não há acusação formal contra o vice-governador no país.

Andorra, que já figurou em listas de paraísos fiscais, passou a adotar regras mais rígidas de transparência e cooperação internacional nos últimos anos.

Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra Ramuth ou sua esposa. A investigação segue sob responsabilidade da Justiça de Andorra.