Em São José dos Campos, Alckmin defende abertura de mercados e diversificação do comércio exterior

vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB)
Foto: Pedro Bavuso/CBN Vale

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), destacou durante agenda em São José dos Campos neste sábado (27)importância estratégica do comércio exterior para a economia brasileira e detalhou o andamento das negociações internacionais envolvendo os Estados Unidos, a União Europeia, além de acordos em curso com México e Índia.

Segundo Alckmin, a inserção do Brasil no comércio global é essencial para o crescimento econômico. O Brasil tem 2% do PIB do mundo. Isso significa que 98% do comércio está fora do Brasil, então o comércio exterior é fundamental.

Ele citou a Embraer, empresa com sede em São José dos Campos, como exemplo dessa dependência do mercado internacional. Ele lembrou ainda que a empresa bateu recordes de crescimento e valor no ano e avançou em projetos inovadores, como o eVTOL, o chamado carro voador, desenvolvido em Taubaté.

“A Embraer não existiria se não vendesse para todos os continentes do mundo”, ressaltou Alckmin.

Eve avança no eVTOL e reforça parceria com motores para fábrica de Taubaté
Foto: Eve Air Mobility

O ministro também enfatizou os avanços recentes do Mercosul na celebração de acordos comerciais. “O Mercosul não fazia acordo havia 13 anos”, afirmou.

Entre os avanços, destacou o acordo com Singapura, assinado em 2023, e o Mercosul-EFTA, concluído neste ano, que envolve Noruega, Suíça, Liechtenstein e Islândia, países com os mais altos índices de renda per capita do mundo.

Mercosul e União Europeia

Alckmin demonstrou otimismo em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia, considerado o maior já negociado pelo bloco. O acordo envolve 27 países europeus e um mercado estimado em 22 trilhões de dólares, com 720 milhões de consumidores.

“Acredito que em janeiro a gente assine o Mercosul-União Europeia”, planeja Alckmin.

O ministro reconheceu resistências, especialmente no setor agrícola europeu, mas afirmou acreditar em um entendimento. “Há um protecionismo agrícola que teme a concorrência, mas acredito que vamos chegar a um bom termo”.

Em relação ao México, Alckmin explicou que as negociações não envolvem livre comércio, mas a ampliação das chamadas linhas tarifárias de preferência. “Nós temos poucas linhas tarifárias e pretendemos aumentar bastante.

Segundo o vice-presidente, há complementariedade econômica entre os dois países, com benefícios mútuos para exportações e importações. Processo semelhante está em andamento com a Índia, país mais populoso do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes e crescimento médio de 7% ao ano.

Estados Unidos

Sobre a relação comercial com os Estados Unidos, o ministro afirmou que, apesar do chamado “tarifaço” imposto pelo governo norte-americano, o Brasil deve encerrar o ano com recorde de exportações, estimadas em 349 bilhões de dólares, e corrente de comércio de 629 bilhões de dólares.

“Isso mostra como é importante abrir novos mercados e diversificar o comércio exterior”, afirmou Alckmin.

Alckmin detalhou que as negociações com os Estados Unidos resultaram na redução gradual das tarifas. “Quando foi lançado o tarifaço, nós tínhamos 37% de tarifa. Fomos negociando e caiu para 22%”.

Atualmente, segundo ele, 51% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão sujeitas a tarifas de 0% ou 10%, incluindo produtos como aviões da Embraer. Outros setores seguem sob regras globais, como automóveis, autopeças, aço e cobre.

O ministro destacou ainda que o Brasil não representa um problema para a balança comercial americana. “Os Estados Unidos têm déficit com o mundo inteiro, mas com o Brasil têm superávit, tanto em bens quanto em serviços”.

Segundo ele, o governo brasileiro continuará empenhado em reduzir ainda mais as tarifas, especialmente sobre produtos industrializados. “Avançamos bastante nos alimentos, agora precisamos tirar o produto industrial do tarifaço”.

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Foto: Daniel Torok-White House / Sgt Muller Marin – FAB