Defensoria Pública divulga pesquisa sobre implementação da Lei de Cotas nas Universidades Federais

Rita Cristina de Oliveira, defensora pública federal, sendo entrevistada por Marcelo Rocha, CBN Vale, sobre pesquisa que analisa a implementação da lei de cotas nas universidades federais
(Foto: CBN VALE) Lei de Cotas

A Defensoria Pública da União (DPU) e a Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN) lançaram, na segunda-feira (29), a “Pesquisa sobre a Implementação da Política de Cotas Raciais nas Universidades Federais”. A data foi escolhida porque marca os 10 anos da promulgação da Lei de Cotas (nº 12.711/2012) no país.

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Rita Cristina de Oliveira, defensora pública federal e coordenadora do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais da DPU, explicou ao Jornal CBN Vale 1ª Edição, nesta quinta-feira (1º), que o estudo indicou a necessidade de ajustes nas metas de inclusão da população negra em universidades federais, já que a ocupação das vagas reservadas foi inferior ao potencial de alcance.

Entre as conclusões, o levantamento indicou que “existe uma demanda urgente de elaboração de meios mais eficazes para o alcance de dados da população negra integrante do ensino superior público federal, a fim de identificar a eficácia e a necessidade de novas estratégias que promovam o fim da desigualdade social e racial que ainda assola a realidade universitária e acadêmica brasileira”.

A defensor pública também destaca a extrema necessidade da elaboração de estratégias de investigação e de prevenção às fraudes nas cotas e, ainda, a urgência de uma efetiva implementação isonômica e regular da política de cotas raciais nos programas de pós-graduação, “sendo tal iniciativa totalmente pertinente para a completude do ciclo de afirmação da diversidade étnico-racial nos ambientes acadêmicos, sobretudo para ampliar a participação de pessoas negras também nos corpos docentes universitários, na gestão da iniciativa pública e privada e, ainda, nos espaços de poder político”.

Falhas na execução de políticas públicas

A amostra do relatório totaliza 64 universidades federais, com respostas integrais e parciais sobre a execução da política de cotas no período de 2013 a 2019, ou seja, a partir da vigência da Lei de Cotas. O grau de confiança da amostra está num intervalo entre 95 e 99%.

Apesar do alto número de respondentes (cerca de 93%), 34 universidades responderam de maneira parcial. Dessa forma,  menos da metade (46%) das que apresentaram respostas, o fizeram integralmente. Em relação a determinadas questões, a ausência de respostas configura, na opinião da defensora, um indicativo de problemas na execução da política.