
Se já não bastasse as recentes manifestações antidemocráticas que pedem intervenção federal do exército, baseadas em mentiras esdrúxulas compartilhadas em grupos de mensagens, o mês de novembro marcou a perda de duas figuras icônicas, que ao contrário do que se vê hoje em dia, cantaram em alto e bom som, as verdades de um Brasil que todos nós amamos. Confira o comentário a seguir do colunista Helcio Costa, no quadro CBN Política Regional em seu texto, ‘Vapor Barato‘, que foi ao ar nesta quinta-feira (10), no Jornal CBN Vale 1ª Edição.
• Leia mais notícias da região clicando aqui
Têm dias que são tristes. Ontem foi uma quarta-feira (9) triste, dia em o Brasil perdeu uma de suas principais cantoras; pra mim, a voz mais bonita da MPB.
A morte de Gal Costa –a Gal de “Vapor Barato”, de “Vaca Profana”, de “Divino e Maravilhoso”, de “Festa do Interior”, de tantos sucessos—deixa de luto um mês já mergulhado na confusão. Novembro é um mês em estado de alerta. Passadas as eleições, o país deu um rodopio: de um lado, vencedores nas urnas de 30 de outubro, Lula, Alckmin, Tarcísio, Felício Ramuth, ex-prefeito de São José dos Campos eleito vice-governador do Estado, trabalham pelo Brasil do futuro; do outro, grupos vestidos de verde e amarelo –que têm no trevo do DCTA um dos núcleos mais aguerridos do país—falam em melar o jogo.
Eles resistem ao sol, à chuva, ao frio da madrugada, disputando um terceiro turno inexistente. Para apimentar o caldo, o relatório do Ministério da Defesa descartou fraude na eleição, depois de ter nublado o clima, provocado o maior vapor barato.
“Vapor Barato”, a música, é uma segunda “Canção do Exílio”, e fala do Brasil da Ditadura Militar. Ditadura com a qual o grupo acampado na frente do DCTA flerta sem pudor. O que move essa multidão? Conversei com Felício sobre essas manifestações, os órfãos de Bolsonaro. Como democrata, ele disse, não apoia o protesto. Fraude eleitoral? Descarta também.
E bola pra frente. Vice, Felício vai atuar a transição de governo. Outra liderança política da região, Geraldo Alckmin, eleito vice-presidente, já trabalha numa, em Brasília. E anunciou um time de respeito para ajuda-lo nessa tarefa: os pais do Plano Real, Simone Tebet, gente de peso. “Os alquimistas estão chegando”, brincou um jornalista, fazendo graça com a música de Jorge Ben Jor.
Essa Gal não gravou. Nem Ronaldo Boldrin, defensor do nosso som raiz, também morto ontem. Dia triste para a música. Espero que as surpresas e as tristezas de novembro terminem por aqui. Tem gente dizendo que os “alquimistas” vão durar pouco, também não passam de vapor barato. Não creio. Vamos ver …
E para deixar uma mensagem de esperança, viva a democracia –que permite que gente que pede o fim dela proteste, sem censura, nas ruas.
Ouça o podcast completo com Hélcio Costa:
