
Nesta quarta-feira (28), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou que o ônus da vulnerabilidade externa é transferido para maioria da população.
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A economia do Brasil anda a passos largos para uma maior integração à economia internacional. Quanto maior o vínculo da nossa economia maior a vulnerabilidade desta perante ao mundo.
As políticas adotadas pelos Governos, desde a política agrícola, passando pela cambial e monetária têm aumentado a vulnerabilidade externa da nossa economia e consequentemente, aumentado o ônus desta para a maioria da população. Ônus que aparece a partir da perda de capacidade de consumo das pessoas e dos maiores riscos para os investidores, notadamente, o pequeno e médio investidor.
Ao preferir manter a política de paridade dos preços internacionais (PPI) do petróleo e a política cambial de regime flutuante, por exemplo, o Governo permite que as flutuações dos preços (petróleo e dólar), gerem custos altíssimos para a maioria da população, possivelmente, por incompetência técnica.
Há anos que estamos sofrendo os reveses das flutuações cambiais e os governos bancando o custo de uma estabilidade temporária, a partir de diversos instrumentos de política cambial que já está provado não funcionarem para países como o Brasil.
Há anos que a política de preços do petróleo vem afetando os custos das cadeias produtivas e gerando o fator mais empobrecedor da maioria da população que é a inflação. Como acreditar que há competência técnica deste Governo se não são críveis suas políticas. Estão errando em todas elas. Cambial, monetária, fiscal, agrícola, ambiental, educacional, entre outras.
A vulnerabilidade externa vem mostrando a sua face cruel, principalmente para países que insistem em manter políticas conjunturais de juros altos e câmbio flutuante que são incompatíveis com nossas condições atuais. Câmbio e Juros são os preços especiais das economias e são capazes de alterar os comportamentos dos consumidores e investidores de forma marcante.
Em apenas um mês a taxa de câmbio acumula aumento de quase 5% indicando que tem espaço para subir mais, isto porque os problemas internos aparecem quase todos os dias. Por outro lado, a Bolsa de Valores (B3) tem a maior sequência de queda (7 no total) desde 2016, frustrando todas as expectativas de altas esperadas pelo mercado.
É certo que a vulnerabilidade econômica do Brasil é fruto, por um lado, das condições internacionais, seja por conta da Covid que continua desequilibrar as condições de oferta e demandas das principais nações do mundo (China e EUA), seja por conta do advento bélico entre Rússia e Ucrânia e, por outro lado, pelas condições internas que, estão desde as constantes crises políticas criadas pelo Governo Federal, até às políticas equivocadas, como a quase inexistente política de estoques reguladores passando política de câmbio flutuante.
Enquanto os Governos ignorarem uma política de banda cambial ou câmbio fixo e insistirem na política de paridade de preços internacionais para nossas commodities, as flutuações das condições de oferta e demanda mundial vão continuar gerando um ônus que a maioria dos brasileiros ao terem de pagar ficaram mais pobres.
