Vendas do comércio na RMVale recuam 1,1% no primeiro semestre de 2026

Vendas do comércio na RMVale
Comércio na RMVale. Foto: Sincovat

As vendas do comércio varejista na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVale) somaram R$ 38,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento do Sincovat (Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e Região). O resultado representa uma queda real de 1,1% na comparação com o mesmo período de 2025.

A análise foi elaborada pelo Sincovat com base na Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), realizada pela FecomercioSP a partir de informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).

Apesar da retração, o faturamento registrado entre janeiro e junho foi o segundo maior da série para um primeiro semestre, atrás apenas do resultado de 2025.

Segundo o presidente do Sincovat e vice-presidente da FecomercioSP, Dan Guinsburg, um dos fatores que explicam o desempenho é a forte base de comparação.

Atividades como supermercados e farmácias e perfumarias vinham apresentando crescimento praticamente contínuo desde a pandemia e atingiram recorde histórico de vendas no primeiro semestre de 2025.

“É importante destacar a forte base de comparação. As atividades de supermercados e farmácias e perfumarias, por exemplo, vinham de uma trajetória de crescimento praticamente ininterrupto desde a pandemia e as vendas do 1º semestre de 2025 bateram recorde histórico. Portanto, é natural que agora em 2026 ocorra um processo de desaceleração das vendas”, afirmou Guinsburg.

Juros e endividamento afetam consumo

Além da base elevada de comparação, o comércio enfrenta uma conjuntura marcada por juros elevados, inflação, endividamento e inadimplência das famílias.

O impacto é maior em segmentos que dependem de crédito para a compra de bens duráveis. No primeiro semestre, as vendas de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos recuaram 18,8% em relação ao mesmo período de 2025.

Já o segmento de móveis e decoração registrou queda de 2,8%.

“São atividades que comercializam bens duráveis, dependentes de crédito e do comprometimento da renda por vários meses para pagamento das parcelas”, explicou Guinsburg.

Expectativa do comércio da RMVale para o segundo semestre

Apesar do resultado negativo, o sindicato avalia que o nível de vendas permanece elevado. A preocupação está nos efeitos que os juros, a inflação e o endividamento das famílias podem provocar sobre o consumo nos próximos meses.

O segundo semestre é considerado o principal período de vendas para o comércio, impulsionado por datas como Black Friday e Natal.

Para Guinsburg, o comportamento das variáveis econômicas será determinante para definir o desempenho do setor até o fim de 2026.

“O patamar de vendas ainda é elevado, mas conforme destacado anteriormente, é preciso ter cautela e acompanhar os efeitos negativos sobre o consumo dos juros elevados, inflação, famílias endividadas, entre outros fatores. O comportamento dessas variáveis será determinante para o desempenho das vendas no 2º semestre, melhor período de vendas para o setor”, conclui Dan.