
O joseense Guilherme “Kong” Pat, de 31 anos, vive um momento histórico em sua carreira. Invicto na LFA (Legacy Fighting Alliance) com cinco vitórias em cinco lutas, ele se tornou o primeiro lutador de São José dos Campos a assinar contrato com o UFC, a maior organização de MMA do mundo.
Em entrevista ao programa CBN Vale Esportes desta segunda-feira (6), o peso pesado afirmou que sente a responsabilidade de ser o primeiro joseense na história do UFC, mas que tem muita gratidão a todos aqueles que estiveram ao seu lado durante esse processo.
“Cara, é um peso muito grande, mas é um peso que eu carrego com muito orgulho de estar tendo a oportunidade de ser o primeiro atleta joseense a alcançar esse patamar.
Eu só agradeço a Deus, a todas as pessoas que me apoiam, à minha equipe, minha família e meus amigos que acreditam nesses sonhos junto comigo. É algo que ainda parece surreal pra mim, mas é realidade, principalmente pra todas as pessoas envolvidas nisso.”
O lutador lembrou também como recebeu a notícia da contratação — um momento de surpresa e emoção que veio após uma sequência de frustrações.
“Meu visto para os Estados Unidos foi negado três vezes e eu não consegui participar da seletiva do Dana White’s Contender Series. Fiquei muito frustrado.
Só que, no mesmo dia em que o visto foi negado pela manhã, de tarde o meu empresário me ligou e falou: “eu tenho uma luta pra você em dezembro, dia treze, em Las Vegas, no UFC”. Eu falei: “como assim, cara, acabei de ter o visto negado!”. E ele respondeu: ‘agora você tá diretamente no UFC, os caras gostaram muito do teu talento e resolveram te contratar direto’.
Foi surreal. Aconteceu uma coisa ruim, mas veio outra muito maior. Gritei, comemorei com o meu treinador, foi muito bom, cara, foi muito bom viver isso.”
Preparação intensa e foco total na estreia
Desde o início do ano, Kong já vem em ritmo de luta — e, apesar de uma lesão no joelho, manteve o foco total na preparação.
“Desde março eu tava escalado pra fazer uma luta, então já estava em preparação. Acabei tendo uma lesão no joelho — um estiramento parcial do tendão da patela — e precisei de seis semanas de repouso.
Depois voltei aos treinos, me preparei pra seletiva, que acabou não acontecendo, e agora seguimos com a luta de dezembro. Basicamente tô o ano inteiro me preparando pro UFC.”
Segundo o joseense, os treinos acontecem de segunda a sábado, com duas a três sessões por dia.
“É preparação física, técnica, defesa de solo, tudo. A gente ensaia todo o cenário possível pra chegar pronto no dia da luta. Eu quero propor o combate desde o começo e, se possível, acabar com a luta no primeiro ou segundo round, com um nocaute e bônus pra casa.”

A estreia do joseense no maior palco de MMA do Mundo será no UFC Fight Night 266, em Las Vegas (Estados Unidos), no dia 13 de dezembro, contra o norte-americano A.J. Frys.
“Ele é um cara da trocação também, tem muito nocaute na carreira. Vai ser uma luta de troca de golpes, em pé, soco e chute. Mas é MMA, tem que estar preparado pra tudo. Espero acabar com essa luta o quanto antes.”
Categoria de peso e estilo de luta
Atuando entre os pesos pesados, Kong explica que encontrou sua melhor forma física e técnica nessa divisão.
“Com certeza é uma categoria difícil, a questão do peso é desgastante, mas eu me encontrei nela. Tenho 1,97 m, uma boa envergadura e me mantenho rápido. Evito fast food e foco numa alimentação saudável pra manter o físico atlético. Hoje em dia, um peso de 110, 115 quilos é ideal pra ter força e velocidade. Carregar peso à toa só atrapalha.”
Com base sólida nas artes marciais desde cedo, o joseense destaca que seu diferencial vem do karatê, modalidade que praticou por sete anos antes de migrar para o MMA.
“Minha base é o karatê, comecei com 13 anos e fui até os 20. Isso me trouxe muita movimentação, velocidade e agilidade.
Quando migrei pro boxe e muay thai, adaptei essa velocidade à força dessas modalidades. Minha primeira luta profissional eu ganhei com um jab — o kizami zuki do karatê.
Pegou tão forte que quebrei a mão, mas venci a luta mesmo assim. Essa combinação de força e velocidade é o meu diferencial.”

Ídolos e inspirações do joseense Guilherme Kong
Entre os grandes nomes do MMA brasileiro, Guilherme Kong cita Anderson Silva e Alex Poatan como suas maiores inspirações.
“O Anderson Silva é um cara sem palavras, o que ele fazia ali era mágico. Me inspiro muito na postura dele dentro e fora do octógono.
Outro é o Alex Poatan, que também me inspira muito. Treinei com ele em 2021, logo depois da pandemia. Lembro que cheguei na academia e meu professor falou que tinha um ‘presentinho’ pra mim no banheiro.
Quando entrei, era o Poatan se trocando pra gente fazer um sparring. Foi uma experiência incrível. E o que ele fez recentemente foi sensacional, mostrou que é o melhor do mundo e me dá ainda mais combustível pra seguir o mesmo caminho.”
O Vale do Paraíba no mapa do MMA
Com o crescimento da modalidade na região e o sucesso de nomes como o taubateano Carlos Prates (representante na categoria meio-médio do UFC) e o jordanense Marcos Tainandês (futuro representante no UFC), Guilherme acredita que o Vale do Paraíba vive um momento histórico.
“Espero que sirva de motivação e inspiração pra quem tá começando, pra perceber que é possível. Não é fácil, é uma escolha de abdicar de muita coisa. Quando eu trabalhava de barman e treinava em São José, sonhava em chegar ao mais alto nível, mas percebi que enquanto tivesse algo além da luta, ia demorar mais pra alcançar.
Espero que a nossa história sirva de exemplo e mostre o poder que a gente tem aqui no Vale. Tem muito atleta bom, muito talento. É só confiar no processo, se dedicar e se entregar inteiramente que o futuro reserva grandes lugares, com certeza.”

Guilherme “Kong” Pat fará sua estreia oficial no UFC no dia 13 de dezembro, em Las Vegas (EUA), enfrentando o norte-americano A.J. Frys. O joseense entra para a história como o primeiro atleta de São José dos Campos a representar a cidade no maior palco do MMA mundial.