
Os funcionários da Avibras, maior indústria bélica do Brasil, aprovaram a proposta da empresa para quitar dívidas trabalhistas e retomar as atividades da fábrica. A decisão ocorreu em assembleia no Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, na noite desta quarta-feira (11). Com isso, a greve de quase 1,3 mil dias foi encerrada.
Proposta prevê demissões e novas contratações
Segundo a proposta aprovada, a empresa demitirá cerca de 900 funcionários. Em seguida, quitará os salários atrasados há dois anos e oito meses em 48 parcelas.
Além disso, a Avibras recontratará 210 trabalhadores. A empresa poderá ampliar o quadro para até 450 funcionários a partir de junho. As demissões devem ocorrer em 31 de março. Depois, a homologação, os exames médicos e a assinatura dos novos contratos ocorrerão no início de abril. Assim, os trabalhadores devem retornar à fábrica até o fim do mês.
O sindicato afirmou que a greve foi “uma das mais longas e importantes já realizadas no país” e que 1,4 mil funcionários têm valores a receber. Além disso, a dívida trabalhista soma R$ 230 milhões.
Avibras celebra avanços na recuperação judicial
Em nota, a Avibras afirmou que registrou “avanços relevantes em seu processo de reestruturação”. Segundo a companhia, os resultados da assembleia e a decisão da Justiça, de manter o plano de recuperação judicial, “atendem condições precedentes consideradas fundamentais para viabilizar a reestruturação da companhia e a retomada gradual das atividades”.
Além disso, a Avibras destacou: “Prosseguimos na fase de transição, que inclui os preparativos necessários para restabelecer as operações. Também seguimos empenhados na implementação do Plano de Recuperação Judicial e na construção de um novo ciclo para a empresa, com foco na continuidade das operações e no fortalecimento da atuação nos setores de defesa e aeroespacial”.
Histórico da Avibras
Fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras tem sede em Jacareí (SP). A empresa entrou em recuperação judicial em março de 2022 devido a uma grave crise financeira. Na época, alegou uma dívida de cerca de R$ 600 milhões.