Suicídios na Polícia Civil de SP chegam a 68 casos desde 2012

Viatura da polícia civil estacionada
(Foto: Polícia Civil/suicídios na policia)

Dados fornecidos pela Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, apontou que o índice de suicídios na policia é seis vezes maior do que na média da população brasileira.

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De acordo com os números, a Polícia Civil de São Paulo registra um alto índice ainda desconhecido do público, em se tratando se agentes que tiram a própria vida. Desde 2012, segundo dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, 68 membros da instituição cometeram suicídio.

Em comparação com o mesmo período, a Polícia Civil registrou 33 mortes de policiais trabalhando em serviço. O documento “Uma análise crítica do suicídio policial“, publicado em setembro de 2019 pela Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, em conjunto com os Conselhos Federal e Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, aponta a dimensão do problema.

No estado, a taxa de suicídio foi de 5,0 para cada 100 mil habitantes em 2017 e 2018, período da pesquisa. As taxas de suicídios na Polícia Civil nesses dois anos foi, em média, de 30.3. Já as da Polícia Militar foi de 21.7.

Perfis de policiais que cometeram suicídio em 2017 e 2018.

No total de 78 suicídios policiais, 72% são de policiais militares e 28% de policiais civis (foram incluídos na tabela dos policiais civis, os policiais da Superintendência de Polícia Técnico-Científica).

Planilha de computador apresentando números de policiais civis e militares que se suicidaram entre 2017 e 2018
(Fonte: Ouvidoria PESP)

Por outro lado, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando se atinge a marca de 10 suicídios por 100 mil habitantes, isso pode ser considerado uma situação endêmica. Nesses dois anos, o número registrado nas polícias de São Paulo foi de 23.9 por 100 mil.

“A estatística aponta que os investigadores são os mais afetados, representando 40% dos casos, mas temos registros também entre delegados, escrivães e agentes. Praticamente todas as carreiras policiais tiveram casos de suicídio na última década”, aponta a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati.

Fatores para o alto índice de suicídios

Em números gerais, 96,8% dos casos de suicídios na polícia são precedidos por um registro anterior de saúde mental do paciente. Os principais elementos identificados envolvem depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias químicas, como álcool.

“Suicídios na Polícia Civil, esses fatores são agravados por longos plantões, sobreavisos ininterruptos e o déficit de 36% dos policiais na instituição, que sobrecarrega o dia a dia”, explica Raquel. “Fatores de risco presentes no cotidiano da profissão, como o estresse pelo excesso de cobrança, baixa remuneração e pouco tempo disponível para o convívio familiar pioram muito a situação”.

Na população geral, o suicídio é registrado três vezes mais entre homens do que entre mulheres. Na Polícia Civil, uma instituição onde, ainda hoje, os homens são mais de 75% do efetivo, esse número cresce ainda mais. De 2018 a 2022, dos 37 casos registrados, 33 foram de homens e 4 de mulheres.

“A atividade policial coloca o profissional em contato diário com o que há de mais cruel e desumano na sociedade. Essa realidade, associada à questão cultural de que o homem não deve pedir ajuda sob a rígida ideia de que ele deve ser forte o tempo todo e nunca externar fragilidade, forma o cenário propício para que policiais tirem a própria vida”, aponta a delegada Raquel, que também informou que o problema continuam até mesmo após o término da carreira:

De 2011 a 2022, foram 15 suicídios de policiais civis aposentados no estado de São Paulo.