
A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) estima um prejuízo de mais de R$ 1,15 bilhão ao setor, caso se confirmem os impactos das novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A entidade divulgou, nesta quinta-feira (31), uma análise preliminar da nova devisão do governo americano, que mantém a tarifa de 50% sobre parte das exportações, especialmente bauxita, óxidos e outros derivados do alumínio.
Por outro lado, a ABAL destacou que a nova regra não será cumulativa com tributos anteriores e isenta a alumina, matéria-prima essencial para a produção do alumínio primário, utilizada em larga escala por indústrias dos Estados Unidos e Canadá. Embora essa exceção represente um alívio parcial, os efeitos negativos já são sentidos. Só no primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras do setor recuaram 28%, o que representa uma perda de R$ 350 milhões.
Além disso, a entidade chama atenção para o risco de desequilíbrio em toda a cadeia produtiva regional. Isso porque os países do Atlântico, como Brasil, EUA e Canadá, mantêm uma forte integração na indústria do alumínio. Com o aumento das tarifas do governo de Donald Trump, há chances de ruptura nos fluxos de abastecimento e aumento da instabilidade comercial.
De olho na sucata
Outro alerta diz respeito à corrida global por sucata de alumínio. Segundo a ABAL, as novas tarifas favoreceram a arbitragem de preços, tornando a sucata mais atrativa que o metal primário. Isso pode comprometer o abastecimento de material reciclado no Brasil, considerado estratégico para a economia circular e a transição energética.
Diante desse cenário, a entidade reforça a necessidade de um plano de mitigação mais amplo, que leve em conta não apenas os impactos comerciais, mas também os efeitos estruturais para a indústria brasileira, em especial um setor considerado estratégico para o desenvolvimento sustentável.