
O governo de São Paulo exonerou uma servidora com deficiência (PcD) poucos dias depois de ela criticar uma declaração considerada capacitista de Flávio Bolsonaro (PL). Em outro caso, um major da Polícia Militar recebeu uma repreensão após ser acusado de filmar uma colega policial tomando banho em uma instalação do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.
As duas situações, divulgadas pela imprensa, chamam a atenção sobre os critérios utilizados pela administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para decidir sobre exonerações e punições disciplinares.

Foto: Reprodução/TV Globo
Servidora PcD foi exonerada após criticar declaração de Flávio Bolsonaro
Silvana Gimenes ocupava um cargo comissionado de coordenadora na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Segundo reportagem do Metrópoles, a exoneração ocorreu poucos dias depois de Silvana publicar críticas a Flávio Bolsonaro, então candidato à Presidência da República.
Durante o debate presidencial da TV Globo, realizado em 23 de outubro, Flávio chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “9 dedos”, em referência à deficiência física do adversário. A declaração foi considerada capacitista por associar uma deficiência física a um ataque pessoal.
Silvana criticou a manifestação do candidato do PL nas redes sociais. Dois dias depois, perdeu o cargo que ocupava na administração estadual.

Major é acusado de filmar policial tomando banho no Palácio dos Bandeirantes
Em outro episódio envolvendo a administração estadual, o major da Polícia Militar, Leonardo Casabona, é acusado de filmar uma colega de corporação enquanto ela tomava banho. O caso ocorreu em 9 de outubro de 2024, mas a denúncia foi apresentada pela promotora Giovana Ortolano Guerreiro em 26 de maio de 2026.
Segundo reportagem do jornalista Fausto Macedo, publicada pelo Estadão, o caso teria ocorrido em uma instalação do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, na capital paulista. A denúncia envolve uma possível violação da intimidade da policial militar dentro do alojamento feminino.
De acordo com as informações divulgadas, o major teria recebido uma repreensão administrativa. A reportagem também aponta que um procedimento interno não teria mencionado o episódio da suposta filmagem.
O que diz o Governo de São Paulo
A reportagem da CBN Vale encaminhou um pedido de esclarecimentos ao Governo do Estado de São Paulo para conhecer os critérios adotados nas duas situações.
En Nota, o governo estadual informou que o “cargo de coordenadora da Coordenadoria de Desenvolvimento de Programas, anteriormente ocupado por Silvana Pereira Gimenes, é de livre nomeação e exoneração. A exoneração da então titular decorreu de ajustes administrativos na Secretaria.”
Ainda, segundo a nota, o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Marcos da Costa, afirmou que a exoneração de Silvana Pereira Gimenes foi uma decisão de sua exclusiva responsabilidade, motivada por questões administrativas. Segundo ele, a medida teve como objetivo reorganizar atribuições e evitar a sobreposição de funções na estrutura da pasta.
O secretário negou qualquer relação entre a demissão e as manifestações políticas da servidora, que havia criticado declarações consideradas capacitistas de Flávio Bolsonaro. Marcos da Costa também afirmou que sua gestão segue critérios técnicos e reafirmou o compromisso com os direitos das pessoas com deficiência.
Também em nota encaminhada à CBN Vale, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que o governo estadual repudia condutas incompatíveis com os deveres da atividade policial. Segundo a pasta, a Polícia Militar instaurou um inquérito policial militar assim que tomou conhecimento da denúncia contra o major acusado de filmar uma colega de corporação durante o banho. A SSP informou ainda que o oficial recebeu uma punição administrativa, conforme a legislação, e foi denunciado à Justiça Militar, onde o caso está em julgamento.