De Aparecida, Emerson Tersigni
CBN Vale do Paraíba | 28.03.2021

Em meio ao colapso de saúde que vivem inúmeras cidades brasileiras devido a Covid-19, com leitos de terapia intensiva e enfermaria ocupados, além do desgaste de profissionais da área, um outro setor tem sofrido os impactos causados pela pandemia: o socioeconômico.
A cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, vive a fase mais delicada desde o início das restrições impostas pelo novo coronavírus. Principal destino religioso da América Latina e detentor do maior santuário mariano do mundo, o município amarga a paralisação das atividades comerciais, turísticas e a ausência dos fiéis devotos da Padroeira do Brasil.
• Leia mais notícias da região clicando aqui
A consequência da baixa movimentação de turistas trouxe ao município, que tem cerca de 36 mil habitantes, a triste marca de 70% de sua população desempregada. Os dados, levantados pela administração, apontam para uma situação ainda mais difícil: devido ao alto número de pessoas que trabalham de maneira informal, o percentual de desemprego pode ser de 80%.
Aparecida vive, exclusivamente, com a economia gerada pelo turismo religioso. Além das medidas restritivas, o medo de contágio foi um dos principais fatores para dispersar a presença do público. A triste realidade é constatada em números: de acordo com o Santuário Nacional de Aparecida, pouco mais de 27 mil devotos passaram na Basílica durante o dia 12 de outubro – feriado nacional e dia dedicado à Padroeira. Em 2019, este número chegou a 162 mil.

Com isso, o efeito cascata da desigualdade social, da fome e das dificuldades impostas pela pandemia se torna inevitável. Os hotéis – que são diversos em toda a cidade – estão com as atividades suspensas e registraram demissões de funcionários. Além disso, a tradicional ‘feirinha’, aos sábados e domingos, também não está em funcionamento. Ambulantes, sorveteiros e vendedores perderam suas rendas e formas de sustento, em meio a pandemia, segundo o prefeito Luiz Carlos de Siqueira, o Periquito. (confira a reportagem ao final deste texto)
Solidariedade
Diante das dificuldades, a população se mobilizou, e inúmeros mantimentos tem sido enviados à cidade. A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais da Cidade de São Paulo) doou quase 300 toneladas de alimentos, que já estão sendo distribuídos aos que mais precisam em uma força-tarefa. O programa ‘Brasil Fraterno’, lançado pelo Governo Federal em Aparecida, também já encaminhou duas mil cestas que atenderão os munícipes cadastrados no Cadastro Único (CadÚnico).
Situação de momento
Até a última sexta-feira (25), Aparecida contabilizava 1.934 casos confirmados, sendo 1.756 recuperados, 106 pessoas em isolamento domiciliar e 50 óbitos. Os interessados em contribuir financeiramente com o Fundo Social de Aparecida podem entrar em contato pelo telefone (12) 3104-4000, ramal 4045. Já para os que moram na cidade e queiram doar roupas, alimentos e produtos de higiene, devem procurar o antigo Mercado Municipal, na Rua Simplício Soares, no centro.
Ouça a reportagem clicando no player de áudio abaixo:

