
A Rádio CBN São José dos Campos Vale entrevistou nesta quinta-feira (2) o vereador de São Paulo e pré-candidato a deputado federal, Fernando Holiday e Lucas Pavanato, pré-candidato a deputado estadual, ambos do partido NOVO.
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Holiday chamou a atenção por aparecer nos estúdios da CBN, vestindo um colete a prova de balas, e explicou os motivos pelo uso do utensílio de segurança.
O vereador explicou que vem recebendo ameaças, e que já foi vítima de uma tentativa de assassinato, após ter denunciado um esquema de corrupção dentro da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) com o uso de emendas parlamentares, o qual ele teria sido convidado a participar.
Segundo a denúncia, no início do ano passado, o ex-vereador Zé Turin (ex-Republicanos) sugeriu que Holiday utilizasse o valor de emendas a que cada vereador tem direito anualmente do Orçamento Municipal, para serem gastos em eventos culturais. Naquele ano, o valor era de R$ 4 milhões por parlamentar, e como contrapartida, Holiday receberia de volta 40% do valor desviado.
O vereador do NOVO denunciou o caso no Ministério Público, que solicitou à Justiça uma ‘ação controlada’, incluindo gravações autorizadas. Nas gravações, Turim chega a dizer que o pagamento ao vereador seria rápido, e que seria feito em dinheiro vivo para não deixar rastro.
Com isso, o caso continua sendo tratado em segredo de justiça e o vereador acredita que ainda este ano ocorram novos desdobramentos, ou mesmo, algumas prisões.
Fim das cotas raciais
Fernando Holiday disse que, apesar de ser negro, é contra o sistema de cotas raciais, mesmo não negando o problema do racismo no Brasil. Na opinião do vereador, o critério de seleção, que é pela aparência, dá ao candidato a pecha de cotista, o que seria um defeito. Com isso, o processo de seleção acabaria gerando uma dúvida sobre a capacidade daquela pessoa aprovada pelas cotas.
Além disso, haveria o problema de fraudes com as cotas raciais, com pessoas brancas se passando por negras para receberem os benefícios. Para resolver esse problema, segundo o vereador, foram criados verdadeiros tribunais raciais que estariam determinando critérios para a aferição da verdadeira raça dos candidatos, o que estaria gerando a desumanização dos negros.
Sendo assim, o vereador defende a substituição das cotas raciais pelas cotas sociais, que poderia, segundo sua análise, incluir mais pessoas negras como beneficiárias.
Holiday, que não tem apoio de movimentos negros no país, deu o primeiro passo para a substituição do sistema de cotas raciais por cotas sociais, ao conseguir a aprovação do texto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Alesp.
Críticas ao governo Bolsonaro
Fernando Holiday, que foi membro do MBL (Movimento Brasil Livre), começou a aparecer na época das manifestações contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e após esse período, foi apoiador do então candidato à presidência Jair Bolsonaro (PL).
Hoje, Holiday se diz crítico do atual governo, desde 2019, quando o governo começou a influenciar nas mudanças no comando da Polícia Federal e no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), coincidentemente, na mesma época que repercutiam denúncias de esquema de rachadinha, envolvendo o filho do presidente, o senador Flavio Bolsonaro (PL), seguido por uma gestão “desastrosa” no trato da pandemia de covid-19.
Mesmo assim, o vereador acredita que o atual governo avançou em pautas importantes, como a reforma da previdência, e mais recentemente, com os debates sobre privatizações como o da Eletrobras e os estudos para a privatização da Petrobras.
Lucas Pavanato
A Rádio CBN também recebeu a presença de Lucas Pavanato, pré-candidato a deputado estadual pelo partido NOVO.
Prestes a se formar em administração, Pavonato é chefe de gabinete da Liderança do Partido Novo na Câmara Municipal de São Paulo.
Nascido em Sorocaba e morador de São José dos Campos, Pavanato iniciou sua militância política aos 18 anos. Hoje, aos 24 anos, é o mais novo pré-candidato do partido a uma cadeira na Alesp.
Junto ao Fernando Holiday, Lucas Pavanato derrubou o pagamento das despesas com combustíveis de 104 Deputados Federais na justiça, com base nas irregularidades apontadas pela Operação Tanque Furado, do Instituto OPS e coordenou o Estatuto da Desburocratização no Estado de SP, lei aprovada em cerca de 20 municípios, a maior parte deles no Vale do Paraíba.
Pavonato também lembrou que o NOVO entrou com uma ação no MPE (Ministério Público Eleitoral) contra a cantora Daniela Mercury que receberia R$ 100 mil de cachê pelo show no evento das centrais sindicais, realizado em São Paulo, no 1º de Maio.
No evento, a cantora segurou uma bandeira com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou apoio ao petista na eleição de outubro e pediu votos, o que é proibido pela justiça eleitoral. Daniela Mercury acabou abrindo mão de receber o dinheiro pelo show.
Segundo Pavonato, o NOVO também entrou com uma representação no MPE contra a cantora Ludmilla, que teria manifestado apoio a Lula em show realizado na Virada Cultural de São Paulo, no último final de semana.
A expectativa do partido é que seja suspenso o pagamento de cerca de R$ 220 de cachê à cantora.