
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, se manifestou em suas redes sociais sobre o caso de injúria racial ocorrido durante a partida entre Manthiqueira e Corinthians, pelo Campeonato Paulista Sub-12, no último domingo (19), em Guaratinguetá.
Em seus ‘stories’ do Instagram, o presidente da entidade máxima do futebol mundial expressou indignação com o episódio e defendeu punições rigorosas contra o racismo no futebol.
“Estou enjoado por saber que um jogador de 12 anos da Academia Desportiva Manthiqueira sofreu ofensas racistas de uma torcedora durante uma partida do Campeonato Paulista Sub-12 contra o SC Corinthians Paulista em São Paulo, Brasil”, declarou Infantino.
Infantino também destacou a atitude do árbitro Guilherme Drbochlaw, que interrompeu o jogo ao acionar o protocolo antirracismo da Federação Paulista de Futebol (FPF).
“O árbitro implementou o gesto da campanha ‘No Racism’ para interromper a partida e ações foram tomadas contra a autora do crime. Eu elogio o árbitro por sua ação rápida e decisiva — nós temos uma responsabilidade, especialmente e urgentemente para com as futuras gerações, de erradicar o racismo e a discriminação nos nossos jogos”, afirmou.
O presidente reforçou ainda a posição da FIFA em relação ao combate ao racismo e à discriminação, classificando essas condutas como crimes que devem ser punidos tanto no âmbito esportivo quanto social.
“Eu continuarei sendo muito direto a esse respeito: o racismo e a discriminação não são apenas erros — são crimes. Todos os incidentes de racismo, seja nos estádios ou online, devem ser devidamente punidos tanto pelo futebol quanto por toda a sociedade”, disse.
O dirigente também ressaltou o compromisso da entidade máxima do futebol em promover ações contínuas de conscientização.
“A FIFA, incluindo o seu Players’ Voice Panel (Painel A Voz dos Jogadores), continuará a trabalhar incansavelmente no Posicionamento Global Contra o Racismo para assegurar um impacto duradouro e responsável tanto dentro quanto fora de campo.”
Ver essa foto no Instagram
O caso
O caso, segundo a súmula da partida, ocorreu por volta dos 30 minutos do segundo tempo, quando o árbitro Guilherme Drbochlaw acionou o protocolo antirracismo da Federação Paulista de Futebol (FPF) após perceber que um jogador do Manthiqueira, de 12 anos, estava sentado no gramado chorando.
Segundo o árbitro, a criança relatou ter sido vítima de ofensas raciais vindas da torcida alvinegra. Ele afirmou ter ouvido de uma torcedora gritando as palavras: *“Preto, filho da ****, sem família, vai tomar no **”.
O árbitro informou que o jogador foi acolhido pela equipe de arbitragem e que o policiamento e o diretor do jogo foram chamados ao campo para ouvir o relato. Diante do ocorrido e do abalo emocional do garoto, a partida foi suspensa e posteriormente encerrada, conforme o protocolo da FPF.
Ainda segundo o documento, durante a parada técnica do segundo tempo, atletas do Manthiqueira já haviam relatado à arbitragem comportamentos inadequados da torcida corinthiana. Por esse motivo, um funcionário do Timão foi até o setor destinado à torcida do clube para orientá-la quanto à conduta no estádio.

Uma mulher de 41 anos foi identificada e presa em flagrante por injúria racial. Ela negou o crime e alegou que desavenças anteriores com familiares do jogador estariam relacionadas a discussões sobre futebol.
A torcedora foi indiciada pela prática, indução ou incitação a discriminação, preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena prevista para esse crime varia de um a três anos de reclusão e multa.
Ela passou por audiência de custódia e foi liberada na segunda-feira (20) com imposição de medidas cautelares. As medidas que ela deve seguir não foram informadas pela Justiça.
