
A Prefeitura de Taubaté apresentou na sexta-feira (12) um panorama das finanças do município e explicou os entraves nas negociações com o sindicato dos servidores. Durante coletiva de imprensa, o prefeito Sérgio Victor (Novo) e o secretário da Fazenda, Pedro Bianchi, detalharam a situação das contas públicas, o crescimento das despesas e as medidas adotadas para equilibrar o orçamento.
Segundo a administração, Taubaté encerrou 2024 com R$ 1,104 bilhão em dívidas e compromissos financeiros. Desse total, R$ 1,021 bilhão corresponde a valores vencidos ou com vencimento previsto até 2028. Além disso, a arrecadação municipal em 2025 ficou R$ 176 milhões abaixo da previsão orçamentária. O município arrecadou R$ 1,688 bilhão, frente aos R$ 1,865 bilhão projetados para o período.
Folha de pagamento e proposta aos servidores
A Prefeitura informou que a folha de pagamento continua entre os principais gastos da administração. A projeção para 2026 é de R$ 719 milhões, valor superior aos R$ 699,4 milhões registrados em 2025.
Em relação aos servidores, a gestão destacou o projeto enviado à Câmara que amplia o vale-alimentação de R$ 502,50 para R$ 844,56 a partir de setembro de 2026. A proposta também prevê reajuste automático anual por meio da Unidade Fiscal do Município de Taubaté (UFMT).
A administração ressaltou ainda outras medidas implementadas desde 2025, como a ampliação do benefício para todos os mais de 6.500 servidores municipais, a regularização do estágio probatório de 4.400 funcionários e o aumento de 22% no subsídio do plano de saúde.
Previdência e corte de despesas
Durante a apresentação, a Prefeitura informou que a dívida com o Instituto de Previdência do Município de Taubaté (IPMT) soma atualmente R$ 327 milhões. Segundo a administração, o débito se acumulou devido à falta de repasses ocorrida em gestões anteriores. Em 2025, o município pagou R$ 43 milhões da dívida e manteve em dia os repasses realizados em 2026.
Para reduzir gastos, a Prefeitura afirmou ter economizado cerca de R$ 140 milhões por meio da revisão de contratos, renegociações e mudanças nos processos de compras. Além disso, a reforma administrativa reduziu o número de secretarias de 17 para 16 e diminuiu os cargos comissionados de 174 para 152.
Dívida com banco e busca por equilíbrio fiscal
Outro ponto abordado foi a dívida relacionada ao CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), estimada em mais de R$ 400 milhões. Como o empréstimo foi contratado em dólar, as parcelas sofrem influência direta da variação cambial.
De acordo com a Prefeitura, uma operação de crédito em análise junto ao Banco do Brasil poderá substituir parte dessa dívida por um financiamento de prazo mais longo e parcelas menores. A medida ainda depende da conclusão dos trâmites necessários.
Ao final da coletiva, a administração afirmou que continuará divulgando indicadores fiscais e ações de reorganização financeira. Segundo a Prefeitura, o objetivo é recuperar a capacidade de investimento do município, manter os serviços públicos e cumprir os compromissos financeiros já assumidos.