
Anderson Pereira Guedes, de 37 anos, apontado pela polícia como um possível serial killer e já investigado por três homicídios em São José dos Campos, foi condenado pela Justiça de São Paulo a um total de 40 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, em duas sentenças distintas por estupro de vulnerável. As decisões, proferidas pela juíza Roberta Layaun Chiappeta de Moraes Barros, da 1ª Vara Criminal da comarca, saíram em abril e junho deste ano.
Os dois processos têm origem nos depoimentos prestados por vítimas na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São José dos Campos, colhidos após a prisão de Anderson, em agosto do ano passado — momento em que, segundo a Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais), quatro mulheres se sentiram encorajadas a relatar abusos sexuais sofridos no passado, todos atribuídos a ele.
Os dois casos
Na primeira sentença, Anderson foi condenado a 26 anos e 8 meses de reclusão por dois episódios de estupro cometidos em 2016 contra uma vítima que, à época, era amiga de infância do casal. Segundo a Justiça, em ambas as ocasiões ele se aproveitou do fato de a vítima estar dormindo — em um dos episódios, dentro da própria casa dela; no outro, na casa em que Anderson morava com a então companheira, que, segundo o relato da vítima, presenciou o abuso sem intervir.
Na segunda sentença, a pena foi de 15 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, referente a um episódio ocorrido em 2015 contra uma vítima que tinha apenas 9 anos de idade à época dos fatos. De acordo com a denúncia, Anderson praticou atos libidinosos contra a menina enquanto ela dormia na casa da própria mãe, e a ameaçou para que não contasse a ninguém. A vítima só formalizou a denúncia quase dez anos depois, já adulta, ao saber da prisão do acusado.
Em ambos os processos, a Justiça destacou que o silêncio prolongado das vítimas é um padrão reconhecido em crimes sexuais cometidos por pessoas próximas ou temidas, e que o relato coerente e seguro delas foi suficiente para embasar a condenação, mesmo sem laudo pericial ou testemunhas presenciais, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) citada nas sentenças.
Suspeita de perfil de serial killer
Anderson está preso desde 31 de agosto do ano passado, quando foi capturado em um restaurante da cidade por ordem da Justiça. Ele responde ainda por três homicídios: o de um homem, morto em dezembro de 2018 após ser atropelado propositalmente por Anderson em um ataque também direcionado à esposa da vítima; o de uma mulher, de 20 anos, encontrada morta em 2018; e o de uma adolescente, de 12 anos, morta em 2015 — caso reaberto após novas investigações apontarem Anderson como autor.
Segundo a Deic, as duas jovens assassinadas tinham em comum o fato de serem “largadas à própria sorte”, sem parentes ou responsáveis na cidade, e enxergavam em Anderson uma figura de confiança. A polícia informou que há suspeita de que Anderson possa ter mais vítimas ainda não identificadas, em razão do longo período em que ficou foragido em Caraguatatuba.
Com as duas condenações por estupro de vulnerável agora confirmadas — que somam 40 anos e 8 meses de prisão —, a Justiça reforça o quadro que a polícia já apontava desde o ano passado: o de um homem com histórico de violência sistemática contra mulheres, hoje também investigado pelos assassinatos de duas delas.