
O preço das carnes disparou nos Estados Unidos poucos dias depois da entrada em vigor das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a dezenas de países. Brasileiros que vivem no país norte-americano relatam dificuldades para manter o consumo de carne bovina, considerada a mais afetada, com bandejas chegando a custar até US$ 69.
Em vídeos compartilhados nas redes sociais, uma moradora brasileira mostrou bandejas de frango sendo vendidas por US$ 12,28 com osso e até US$ 20 sem osso. Já a carne bovina, segundo ela, está “caríssima” e inviável para o consumo diário. “Os Estados Unidos vão quebrar, a carne está caríssima e não tive coragem de pagar”, desabafou.
Outro consumidor brasileiro relatou que o preço da bandeja de carne para bife ultrapassou os US$ 50. “Antes comprava por US$ 16 ou US$ 17, agora está US$ 69”, afirmou.
O Brasil é atualmente o maior exportador de carne bovina para os Estados Unidos. Somente em 2024, foram enviadas 229 mil toneladas ao mercado norte-americano, sendo cerca de 60% destinadas à produção de hambúrgueres. Para 2025, a expectativa do setor era de alcançar 400 mil toneladas.
Com as novas barreiras comerciais, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) estima que a retirada das exportações brasileiras pode gerar um prejuízo de até US$ 1 bilhão.
Especialistas apontam que o impacto tende a se refletir não apenas nos preços nos Estados Unidos, mas também na cadeia produtiva brasileira. Com menor escoamento da produção para o mercado externo, há risco de queda nas exportações e pressão sobre a pecuária nacional, que tem nos EUA o segundo maior destino de sua carne bovina.
A situação preocupa consumidores, produtores e economistas, em um cenário de incerteza para o setor de proteína animal nos dois países.