
O ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, morreu nesta segunda-feira (12), aos 89 anos. Considerado um dos líderes mais carismáticos da América Latina, Mujica ficou conhecido por seu estilo de vida simples, sua defesa da democracia e pelas transformações sociais realizadas durante seu governo.
Em abril de 2024, ele revelou à imprensa que havia sido diagnosticado com um tumor no esôfago. A partir disso, iniciou sessões de radioterapia e passou por uma cirurgia para receber uma sonda gástrica. Ainda assim, a alimentação continuava difícil. No fim do mesmo ano, foi implantado um stent no esôfago para facilitar a ingestão de alimentos. No entanto, seu quadro se agravou. Pouco tempo depois, os médicos constataram que o câncer havia se espalhado. Por isso, Mujica decidiu não continuar com novos tratamentos. Nos últimos dias de vida, sua saúde piorou visivelmente.
Além do câncer, ele também convivia há anos com uma doença autoimune que comprometia seus rins. No domingo anterior à sua morte, o atual presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, afilhado político de Mujica, já havia sinalizado que o estado de saúde do ex-presidente era crítico. Em entrevista ao jornal argentino Tiempo, Orsi afirmou que a equipe mais próxima vinha tentando poupá-lo de desgastes físicos e emocionais.
José Mujica nasceu em Montevidéu, no dia 20 de maio de 1935. Sua trajetória política começou de forma turbulenta. Ex-guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, foi preso diversas vezes na década de 1960 e passou 13 anos encarcerado em condições muito precárias. Após a redemocratização do país, em 1985, foi libertado.
Em 1989, o grupo de Mujica foi incorporado ao Frente Amplo, coalizão de esquerda uruguaia. A partir de então, ele passou a construir uma nova história, agora pela via democrática. Atuou como deputado, senador e, em 2009, foi eleito presidente do Uruguai para o mandato entre 2010 e 2015.
Legado e vida simples – Pepe Mujica
Durante seu governo, foram aprovadas leis que marcaram o país, como a legalização da maconha, do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Essas medidas, junto com sua forma de viver – morando em um sítio modesto e abrindo mão de boa parte do salário presidencial – tornaram Mujica uma figura admirada internacionalmente.
Embora tenha enfrentado críticas por episódios como o fechamento da companhia aérea Pluna, seu governo terminou com altos índices de aprovação popular. Conforme dados do instituto Equipos Consultores, 51% da população aprovava sua gestão. Segundo a Opción Consultores, o índice era de 63%.
Fora do Uruguai, Mujica foi reconhecido por sua atuação em prol da paz. Chegou a ser citado como possível indicado ao Prêmio Nobel por sua contribuição nas negociações de paz na Colômbia.