
A Polícia Civil investiga se o consumo de álcool e drogas pelos pais e a ausência de cuidados básicos contribuíram para a morte de um bebê de 1 ano, encontrado sem vida dentro de casa no bairro Sertão da Quina, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. O casal foi preso em flagrante no sábado (20), após a constatação do óbito.
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender uma denúncia de morte suspeita. Ao entrar na residência, os policiais encontraram a criança sozinha em um dos quartos, deitada sobre a cama e já sem sinais de vida. O SAMU foi chamado e confirmou o óbito no local.
Durante a apuração inicial, os próprios responsáveis relataram à polícia que haviam consumido bebida alcoólica e drogas durante a madrugada e a manhã do mesmo dia. Segundo o registro policial, eles não entraram no quarto do bebê por várias horas para verificar o estado de saúde da criança, mesmo sabendo que ela apresentava lesões na região da boca e dos lábios.
Testemunhas ouvidas informalmente relataram que o bebê chorou intensamente durante a madrugada e pela manhã, em meio ao calor. Um vizinho afirmou ter visto o homem ingerindo bebida alcoólica pela manhã, enquanto a mãe teria saído de casa por algumas horas. Os relatos também apontam histórico de negligência e conflitos frequentes no imóvel.
Cenário de negligência
A perícia técnica esteve no local e constatou sinais de falta de higiene e cuidados básicos, como assaduras graves, compatíveis com contato prolongado com urina e fezes. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), e a causa da morte ainda depende do resultado da necropsia, que deve indicar se houve desidratação, infecção, asfixia ou outra causa.
A investigação também confirmou que, poucos dias antes do caso, outra filha da mulher havia sido retirada da guarda dos pais por decisão judicial e entregue à avó paterna. Diante dos indícios, a Polícia Civil registrou o caso como abandono de incapaz com resultado morte e decretou a prisão em flagrante do casal.
O inquérito segue em andamento, e a polícia não descarta a possibilidade de reavaliação do crime, a depender do laudo final do IML e do avanço das diligências.