Motorista foi preso após acidente em Cruzeiro, mas recebeu liberdade provisória em audiência de custódia nesta segunda-feira (21).

O ônibus que transportava romeiros e caiu em uma ribanceira em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, não tinha autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar a viagem interestadual. O acidente matou 6 pessoas e deixou 42 feridas na madrugada de domingo (20). Segundo a Agência, o veículo também não tinha Licença de Viagem e não estava vinculado a uma empresa autorizada para esse tipo de transporte.
As vítimas fatais são Alice Fátima Alves da Silva, de 14 anos; Ilza Nazaré Pereira Paulo, de 64; Augusto Antônio de Lima, de 43; Evandro Carlos Garcia, de 46; Jairo Antônio de Paula, de 47; e Sebastião Petronilo, de 74 anos. O grupo seguia de Minas Gerais para Aparecida (SP), quando o ônibus caiu em uma ribanceira de aproximadamente 15 metros na Rodovia Doutor Avelino Júnior (SP-052), por volta das 5h15.
Entre os feridos, 23 já haviam recebido alta na última atualização das autoridades. Outros 19 permaneciam internados em unidades de saúde do Vale. Na Santa Casa de Cruzeiro, 11 pacientes continuavam internados. Já na Santa Casa de Lorena, 8 permaneciam em atendimento, sendo 1 na UTI.
Enquanto isso, cinco das seis vítimas fatais foram veladas nesta segunda-feira (21) na região de Itumirim, no Sul de Minas. Os corpos chegaram por volta das 2h. O velório começou às 8h, na igreja do distrito de Rosário do Rio Grande, e o sepultamento estava previsto para as 17h. Evandro Carlos Garcia seria velado e sepultado em outra cidade mineira.
Motorista chegou a ser preso
A Polícia Civil prendeu em flagrante o motorista Lammounier Domingos Botelho Naves, de 38 anos, que também é proprietário da empresa responsável pela excursão. Ele foi autuado por homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravante por exercer profissionalmente o transporte coletivo de passageiros. O teste do bafômetro deu negativo.
Nesta segunda-feira (21), porém, a Justiça concedeu liberdade provisória a Naves durante a audiência de custódia. Ele deverá manter o endereço atualizado nos autos e comparecer aos atos do inquérito e de eventual processo quando for intimado. O motorista foi assistido pelo seu advogado de defesa.
Empresa sem autorização de viagem interestadual
Segundo a ANTT, o ônibus, de placa BXF-8324, estava registrado em nome da Meteoro Transportes Coletivos Ltda., mas não tinha vínculo vigente com uma empresa autorizada no momento da viagem. A Agência também informou que a Botelho Viagens Ltda., empresa de propriedade de Naves, não possui autorização para realizar transporte interestadual de passageiros. A Meteoro, por sua vez, está sem autorização vigente da ANTT desde 26 de abril de 2026.
Por isso, segundo a Agência, a viagem era considerada clandestina do ponto de vista da regulamentação federal do transporte interestadual de passageiros. A ANTT esclareceu que não havia Licença de Viagem emitida para o veículo e para aquela operação. A licença é o documento obrigatório para viagens interestaduais de fretamento.
Além da situação documental, a Polícia Civil investiga as condições do ônibus e as causas da queda. Segundo informações divulgadas pela polícia, o veículo apresentava pneus desgastados e irregularidades no cronotacógrafo, equipamento usado para registrar dados da operação do ônibus. A investigação também apura a velocidade e as condições de manutenção do veículo.
A ANTT afirmou que a apuração das condições mecânicas e das circunstâncias que provocaram o acidente cabe à polícia e à perícia. A Agência informou ainda que mantém fiscalizações para combater o transporte interestadual clandestino, inclusive em períodos de maior circulação de passageiros, como romarias.
