
O mês de abril começou com recordes de frio em diversas regiões, provocados por uma massa de ar polar que espalhou por diversas regiões, inclusive no Vale do Paraíba. Por conta dessa temperatura atípica, a Santa Casa de São José dos Campos registrou alta de 128% nos atendimentos pediátricos de doenças respiratórias.
• Leia mais notícias da região clicando aqui
Para sabermos mais sobre esse aumento de casos no atendimento de crianças com doenças respiratórias, a Rádio CBN Vale entrevistou nesta segunda-feira (30), o Dr. Danilo Stanzani Jr., Diretor técnico da Santa Casa de São José.
O Dr. Santazani explicou que o outono é o período do ano que mais provoca problemas respiratórios, principalmente pela mudança brusca de temperatura, que alteram a fisiologia das vias respiratórias, permitindo um acumulo maior de secreção, permitindo a propagação de bactérias ou vírus.
Portanto, esse período já é reconhecido como o de maior ocupação de público nas pediatrias. Por outro lado, vivemos um período agravante nos dois últimos anos, que é a pandemia de covid-19, que levou boa parte das pessoas a ficarem em isolamento social.
De acordo com o médico, esse quadro levou adultos e crianças a uma falta de exposição a patógenos que estimulam o sistema imunológico, ou seja, quando a pessoa pega uma virose, por exemplo, ela é atingida por esse patógeno, mas também cria anticorpos suficientes para que o corpo possa se prevenir de mais infecções subsequentes.
Portanto, sem essa carga imunológica ‘abastecida’, é como se o nosso corpo ficasse com a proteção fragilizada. Por conta da chegada do outono, frio e essa fragilidade imunológica, a Santa Casa registrou quase 130% de aumento de casos de doenças respiratórias na pediatria.
Cirurgias de alta complexidade
A Santa Casa obteve recentemente um importante destaque em relação a uma das cirurgias de maior complexidade na área da oncologia, executadas em território nacional, que é a cirurgia para o tratamento da carcinomatose peritoneal.
O procedimento é feito no peritônio, uma membrana fina que envolve os órgãos do abdômen, como o estômago e o intestino, separando-os dos músculos da região. O peritônio é um tecido que dissemina muitas doenças, e no procedimento é realizada a chamada quimioterapia hipertérmica para o combate do carcinomatose peritoneal.
A Santa Casa é um dos poucos centros especializados que fazem essa cirurgia com a equipe do Dr. Artur Reis, que recentemente esteve em Brasília colaborando com o Ministério da Saúde para que o Estado adotasse essa técnica. Há cerca de 15 dias, o SUS confirmou os trâmites para a inclusão dessa cirurgia no Rol de tratamentos a serem oferecidos pela pasta, graças ao apoio que os técnicos da Santa Casa levaram à Brasília.
Além disso, a Santa Casa, que já faz um número considerável de transplantes renais, cardíacos, e detém nos últimos dois anos o recorde de maior número de cirurgias de fígado realizadas no interior de São Paulo, com quase 400 procedimentos realizados desde 2009, perdendo apenas para alguns hospitais da capital paulista.
A unidade também está prestes a receber a autorização para realização de transplantes de medula óssea.
Estrutura e desafios para manter a Santa Casa
A Santa Casa de São José dos Campos conta com atendimento de convênio próprio e particulares, além do Sistema Único de Saúde (SUS), através de um contrato com a União, que dispõe sobre os tipos de atendimentos que o hospital pode realizar.
Por outro lado, a unidade possui uma grande dependência financeira para a manutenção de toda sua estrutura, que é obtida apenas com os recursos provenientes dos planos de saúde. O Dr. Stanzani explicou que pelo SUS, que possui uma tabela de pagamentos desatualizada há mais de 15 anos, paga para o médico o valor irrisório de R$ 10 por consulta.
“O que salva a Santa Casa são os convênios que a gente atende por lá, 60% dos pacientes que a gente atende são do Sistema Único de Saúde”.
Outro fator de fortalecimento para o atendimento à população, é o profissionalismo da classe médica da Santa Casa, que se esforça tanto no atendimento dos convênios e dos SUS.
Ouça a matéria de Marcelo Rocha:
