
A Rádio CBN Vale entrevistou nesta segunda-feira (27), o Prof.º Dr. Anderson Ribeiro Correia, Reitor do ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica de São José dos Campos, para falar, entre outros temas, do lançamento do Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) para a Mobilidade Aérea do Futuro, anunciado no último dia 14 de março, que contou com as presenças do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do vice-governador, Felicio Ramuth (PSD).
Reitor há 7 anos na instituição, o Dr. Anderson citou a importância da história do ITA, começando pelo seu fundador, o Marechal Casimiro Montenegro Filho, que tinha um lema “Antes de produzir aviões, precisamos produzir engenheiros”.
Instalado em São José dos Campos em 1950, o ITA foi embrião da Embraer, fundada em 1969 por Ozires Silva, que estudou na instituição. O período entre a criação do Instituto e uma das maiores empresas de aviação do mundo, foi determinante para a formação dos engenheiros que o país necessitava, sem depender de mão de obra estrangeira, diz o professor.
Considerada a instituição de ensino com o vestibular mais concorrido do Brasil, os formandos do ITA atendem à duas vertentes: a Força Aérea Brasileira (FAB) com a formação de engenheiros militares, e os demais, atendendo à sociedade civil. Ainda, segundo o reitor, a única instituição mais concorrida pelos aspirantes a engenheiro, no mundo, é o Indian Institutes of Technology, da Índia.
Todos os cursos do ITA são gratuitos, desde a graduação até a pós, sendo que em alguns casos, há o pagamento de bolsa de estudos financiado pela Embraer para os mestrandos, incluindo eventuais gastos em pesquisa.
Mobilidade Aérea do Futuro
A nova unidade, que possui como marca fantasia, o nome FLYMOV, terá como foco três áreas de pesquisa:
- Estudos para aviação com objetivo de mitigar os efeitos de carbono;
- Criação de sistemas autônomos de voo;
- Projeto de Manufatura Avançada, que trata da montagem final de forma inteligente de aeronaves, robotizadas, com divisão de trabalho entre homem e robô.
O novo centro de tecnologia busca se adequar a um mercado que em poucos anos se tornará realidade. Até o ano de 2050, a União Europeia estabeleceu como objetivo, zerar a emissão de combustíveis fósseis, o que inclui o uso dessa fonte de energia das aeronaves. Ou seja, chegará um dia em que aviões que ainda emitirem carbono, ficarão proibidos de entrar no espaço aéreo europeu, e consequentemente, no resto do mundo.
Até lá, a FLYMOV terá como meta, criar materiais mais leves e que consomem menos carbono, novas aerodinâmicas e novas formas de combustíveis.