Mortandade de trutas leva Prefeitura de Campos do Jordão a investigar possível contaminação em rio

contaminação no Rio Sapucaí-Guaçu, na região do Horto Florestal, em Campos do Jordão

A Prefeitura de Campos do Jordão investiga a mortandade de cerca de 30 trutas encontradas às margens do Rio Sapucaí-Guaçu, na região do Horto Florestal. O caso também chamou a atenção pelo aparecimento de uma substância de aspecto esbranquiçado na superfície da água, próximo à Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) da Sabesp.

Uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente foi até o local após receber a denúncia. Segundo o secretário-adjunto da pasta, Celso Honorato, a substância foi identificada no ponto onde a água tratada é lançada no rio.

“A substância apareceu no ponto de lançamento da água já tratada no rio e o técnico da Sabesp não soube informar o que seria”, afirmou.

A principal hipótese é que as trutas tenham sido contaminadas ao passar pelo trecho afetado. Como a espécie costuma nadar contra a correnteza, os peixes podem ter entrado em contato com a substância próximo à ETE e morrido mais adiante, na região da Lagoinha.

“A truta tem como característica nadar contra a correnteza e, por isso, ela pode ter passado pelo local da substância e morrido mais adiante. A principal suspeita é de que a mortandade tenha sido causada por contaminação”, explicou Honorato.

Outra possibilidade investigada é a baixa vazão do rio. De acordo com o secretário-adjunto, a redução do volume de água pode diminuir a oxigenação, condição que afeta diretamente as trutas, espécie que necessita de altos níveis de oxigênio para sobreviver.

O caso foi comunicado à Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), à Unidade Regional de Saneamento Básico do Sudeste (URAE-1) e à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A Secretaria de Meio Ambiente também solicitou à Diretoria Regional da Sabesp a suspensão temporária do lançamento de efluentes no rio.

“Com o fim do lançamento da substância, o rio voltou ao normal e continuamos monitorando a área. Vamos também oficiar a Sabesp para que nos envie o controle do tratamento de esgoto”, concluiu Honorato.

 

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O que diz a Cetesb

Em nota, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que realizou uma vistoria na quarta-feira (29) na área citada na denúncia. Segundo o órgão, as equipes percorreram trechos das margens do Rio Sapucaí-Guaçu para verificar a presença de resíduos, manchas, alterações na coloração da água, odores ou outros indícios de poluição.

De acordo com a Cetesb, não foram encontradas evidências que confirmassem a ocorrência relatada nem elementos que permitissem identificar a possível origem do problema.

O órgão destacou ainda que a fiscalização ambiental é de competência compartilhada entre o município de Campos do Jordão — diretamente ou por meio do Consórcio Público Agência Ambiental do Vale do Paraíba — e a própria Cetesb.

O que diz a Sabesp

A Sabesp, por sua vez, informou que acompanha os registros de peixes mortos e da substância esbranquiçada no Rio Sapucaí-Guaçu.

Segundo a companhia, foram realizados reparos na estação elevatória de esgoto da Vila Mantiqueira, que apresentou instabilidade operacional nos dias 28 e 29 de julho. A companhia afirma que o sistema foi normalizado e opera sem intercorrências desde desta quinta-feira (30).

Ainda de acordo com a Sabesp, uma análise preliminar indica que o aspecto esbranquiçado observado no rio não estaria relacionado ao esgoto tratado, mas sim a um possível lançamento clandestino de produto químico.

Por fim, a companhia informou ainda que segue monitorando as operações no local e prestando apoio aos órgãos ambientais responsáveis pela investigação do caso.