
Faleceu nesta terça-feira (20), em São José dos Campos, o clarinetista e saxofonista José Antônio da Cunha, conhecido como Maestro Cunha. Aos 92 anos, ele lutava contra o Alzheimer, segundo amigos próximos. Nascido em Jequitinhonha, Minas Gerais, em 1º de junho de 1932, Cunha teve uma longa trajetória na música, com passagens marcantes pelo Rio de Janeiro e, mais recentemente, por São José dos Campos, onde se tornou uma referência no cenário cultural.
O maestro dedicou a vida à arte. Atuou como músico militar e civil, fundou o Clube do Choro Pixinguinha, e contribuiu ativamente para preservar a memória musical da cidade.
Uma vida dedicada à música e ao ensino
Cunha começou cedo sua história com a música. Aos 8 anos, já tocava requinta em sua cidade natal. Três anos depois, foi subregente da Banda de Música de Barbacena. Na juventude, ingressou na Aeronáutica como cabo-músico e, ainda em Minas, assumiu a direção artística da Orquestra Sinfônica de Barbacena. Também foi professor na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).
No Rio de Janeiro, onde viveu por décadas, tornou-se maestro da Aeronáutica em 1968 e, mais tarde, inspetor das bandas de música da corporação. Ali, destacou-se não só como regente, mas também como organizador e responsável por renovar a legislação musical da Força Aérea. Criou ainda o conjunto de câmara do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER) e compôs diversos hinos oficiais, incluindo o do CIEAR.
Além da carreira militar, também integrou importantes orquestras civis. Entre elas, as orquestras Golden Brasil, do Maestro Cipó, Raul de Barros, e Waldir Calmon. Fundou e dirigiu sua própria orquestra, participou de corais e grupos de câmara, inclusive do Teatro de Ópera do Rio de Janeiro.

Raiz do Choro em São José dos Campos
Depois de se aposentar, em 1992, Cunha se mudou para São José dos Campos e mergulhou no universo do chorinho. Em 13 de outubro de 1994, criou o Clube do Choro Pixinguinha, que revelou talentos e movimentou a cena cultural da cidade por décadas. Mesmo com o avanço da idade, seguia como presidente de honra do grupo, sempre incentivando jovens músicos.
Com liderança e entusiasmo, promoveu eventos como o Encontro de Chorões do Vale, Vale Choro, Chorinho para Todos e Projeto Alegria e Dança. Também atuou em projetos sociais com a então FEBEM (atual Fundação Casa) e com a FUNDHAS (Fundação Hélio Augusto de Souza).

Preservação da memória musical – Maestro Cunha
A preocupação com a preservação de sua história e do acervo musical começou ainda em vida. Em 2017, com o apoio da musicóloga Raquel Aranha e do professor Paulo Castagna, o vasto material acumulado pelo maestro — incluindo partituras, livros e registros pessoais — foi transferido para o Parque Vicentina Aranha, por meio de uma parceria entre a AFAC (Associação para o Fomento da Arte e Cultura) e a Unesp.
Depois, com o fim do convênio, a SOCEM (Sociedade de Cultura e Educação Musical de São José dos Campos), presidida pela própria Raquel desde 2020, assumiu a organização do material. Assim nasceu, em 2022, o Centro de Documentação Musical (CDM), instalado no pavilhão Marina Crespi do Parque Vicentina Aranha. O espaço passou a oferecer atividades educativas e culturais, como exposições, palestras e apresentações musicais.
O CDM abriga atualmente o acervo do maestro, com mais de 70 volumes já triados e digitalizados. Além disso, passou a receber pianistas amadores e, desde 2024, oferece consulta pública a materiais de áudio, vídeo e partituras.
Velório e sepultamento
O velório está marcado para ocorrer nesta quarta-feira (21), no Cemitério e Crematório Parque das Flores, Travessa Capitingal, 114 – Residencial Gazzo, Zona Sul de São José dos Campos, das 8h às 11h.