
O Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% na comparação com 2021, segundo dados divulgados nesta semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento mostra que, mesmo após quase duas décadas da criação da Lei Maria da Penha, a violência contra mulheres continua sendo um desafio no país.
Os números também indicam que a maioria dos crimes acontece dentro de casa. De acordo com o estudo, 66,3% dos feminicídios ocorreram em residências, enquanto cerca de 19% aconteceram em vias públicas. Em grande parte dos casos, o agressor era alguém conhecido da vítima. O relatório aponta que 59,4% das mulheres foram mortas pelo parceiro atual e 21,3% pelo ex-companheiro, enquanto apenas 4,9% dos crimes foram cometidos por desconhecidos.
Outro dado que chama atenção é o perfil das vítimas. Mais de 62% das mulheres assassinadas eram negras, enquanto 36,8% eram brancas. Em relação à idade, metade das vítimas tinha entre 30 e 49 anos, mas os casos também atingem mulheres mais jovens e idosas.

O levantamento também aponta dificuldades na proteção das vítimas. Em uma amostra analisada, 13,1% das mulheres assassinadas tinham medida protetiva ativa, mecanismo judicial criado justamente para afastar o agressor.
A distribuição dos crimes no território também revela desigualdades. Metade dos feminicídios registrados em 2024 ocorreu em cidades com até 100 mil habitantes, locais que muitas vezes contam com pouca estrutura de atendimento. Apenas 5% desses municípios têm Delegacia da Mulher e 3% possuem casa-abrigo para acolhimento das vítimas.
Entre os estados, as maiores taxas foram registradas no Acre, Rondônia e Mato Grosso. Já os maiores crescimentos recentes ocorreram no Amapá, em São Paulo e em Rondônia.
O relatório reforça que o enfrentamento da violência contra a mulher depende não apenas de leis, mas também de políticas públicas, estrutura de atendimento e fiscalização das medidas de proteção. Desde a criação da lei que tipifica o feminicídio, mais de 13 mil mulheres já foram mortas no país por esse tipo de crime, segundo o levantamento.
