
Cerca de 500 pessoas participaram de uma manifestação para marcar os 10 anos da desocupação do Pinheirinho, neste sábado (22), na zona sul de São José dos Campos. Representantes de entidades sindicais, partidos políticos, ocupações, movimentos sociais, artistas e ex-moradores estiveram entre os participantes.
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Segundo o Sindmetal (Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região), a manifestação foi realizada em frente ao terreno da antiga ocupação, que está abandonado. Toninho Ferreira, advogado que acompanhou as famílias e presidente do PSTU em São José dos Campos, participou do ato.
Nas falas dos representantes de partidos, movimentos e sindicatos, foi evidenciada a violência do Estado contra os mais pobres.
“Estamos diante de um governo de ultradireita, que ataca a classe trabalhadora e o povo pobre. Vivemos um cenário de pandemia, crise social e sanitária, enquanto aumenta o número de bilionários no mundo. Aqui no nosso país, vemos a precarização da nossa classe, a inflação ampla, o povo passando fome e o desemprego. A única alternativa para derrotar o governo Bolsonaro é a unidade operária e popular”, afirmou o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.
História

Famílias sem-teto ocuparam o terreno da empresa Selecta, uma área de mais de 1 milhão de metros quadrados abandonada na zona sul da cidade. Em 2004, ainda no início da ocupação, as famílias deram função social ao espaço, pertencente ao imobiliário Naji Nahas.
Com o passar dos anos, cerca de 1.800 famílias idealizaram e criaram um bairro no local. Havia pontos de comércio, igrejas, quadra de esportes e produções rurais.
Segundo o Sindmetal, o dono do terreno devia milhões de reais em impostos à Prefeitura de São José dos Campos e ao governo federal. No entanto, Naji Nahas conseguiu apoio do então prefeito Eduardo Cury e do ex-governador Geraldo Alckmin (ambos do PSDB na época), para desocupar o local. Até hoje não há um destino certo para o terreno.
“A gente viu Lula dizendo que Geraldo Alckmin é o único tucano que gosta de pobre. Se gostar de pobre for isso, imagina quando ele ficar irritado com os pobres. Nós queremos que esse terreno volte pra mão do povo e que essas famílias tenham reparação por danos morais e pelas casas derrubadas”, complementou Toninho, presidente do PSTU.
Desocupação

No dia 22 de janeiro de 2012, a Tropa de Choque da Polícia Militar, com dois mil soldados, invadiu a ocupação. Na megaoperação, a PM, sob a ordem da juíza Márcia Loureiro, acordou os moradores ainda de madrugada com carros blindados, helicópteros, cães farejadores, balas de borracha, sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e cavalaria. Duas pessoas foram mortas e nove mil ficaram desabrigadas, na desocupação.
Ao lado dos policiais, estavam tratores da Prefeitura. À medida que os moradores eram expulsos, pertences, móveis, alimentos e brinquedos iam embora junto com o entulho das casas. As demolições foram imediatas, sem chance de defesa a quem vivia ali.
“Dez anos atrás, a polícia do governador Alckmin passou com trator por cima da casa das pessoas alegando que esse terreno teria uma destinação mais nobre. São dez anos desse terreno virando mato. É dessa forma que se acumulam as fortunas dessa sociedade. O Naji Nahas está muito mais rico hoje do que era naquele momento. Essa riqueza se constrói com a destruição de tudo aquilo que a classe trabalhadora tem”, destacou Zé Maria, presidente nacional do PSTU.
Famílias

Sem ter para onde ir, as famílias foram encaminhadas a abrigos improvisados. Durante meses, as famílias viveram nesses locais, até receberem um aluguel social.
As moradias prometidas durante a desocupação do Pinheirinho demoraram quase cinco anos para serem entregues as famílias. Batizado pelos moradores de Conjunto Habitacional Pinheirinho dos Palmares, o bairro foi construído na periferia, na região do Putim, a 15 quilômetros do centro de São José.
Pinheirinho desocupação

