Mais de 5 milhões de idosos devem sofrer de demência até 2050

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(Foto: Freepik)

Recentemente, Ministério da Saúde divulgou o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras. Segundo o documento, atualmente 2,71 milhões, cerca de 8,5%, das pessoas com 60 anos ou mais convivem com essa condição, a maioria mulheres. O estudo prevê ainda que até 2050, 5,6 milhões de pessoas sejam diagnosticadas com demência no Brasil. Ontem, 10 de outubro, foi celebrado o Dia Internacional da Saúde Mental.

O levantamento foi realizado por especialistas de cinco regiões do país que se reuniram para debater os dados disponíveis sobre as demências no Brasil. Após a análise dos materiais, o estudo concluiu que a doença é mais prevalente entre as mulheres, com 9,1% dos diagnósticos. Dentre os homens avaliados, foram evidenciados 7,7% de casos. As variações regionais oscilaram de 7,3% no Sul a 10,4% no Nordeste.

De acordo com o secretário-adjunto de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Jérzey Timóteo, o relatório foi elaborado em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O secretário ressaltou principalmente a importância da  Atenção Primária à Saúde (APS) na identificação deste público.

“Esse trabalho conjunto é uma grande oportunidade para conhecer a realidade da população brasileira e os fatores de riscos modificáveis. A atenção primária tem um papel chave, na qual podemos atuar no processo de promoção, prevenção, diagnóstico oportuno e, por fim, articular com a atenção especializada para um cuidado específico”, observou Timóteo.

Fatores de risco e estigma

De acordo com o Ministério da Saúde cerca de 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou retardados. A explicação para essa estimativa são fatores modificáveis como baixa escolaridade, perda auditiva, hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo, depressão, inatividade física e isolamento social. Por isso, a promoção da saúde ao longo da vida é essencial no trabalho de prevenção.

Outro fator importante é o estigma associado à doença, impactando diretamente e negativamente na busca pelo diagnóstico e tratamento, na qualidade de vida das pessoas com demência e seus cuidadores, e na integração social daqueles que vivem nessa condição. Esse aspecto reforça a necessidade da conscientização pública sobre a doença, a implementação de políticas públicas e o fortalecimento no apoio aos cuidadores e familiares.

As informações foram anunciadas durante evento realizado na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília no último mês.