
Durante entrevista concedida ao programa CBN Na Rede nesta quarta-feira (20), a ativista Luisa Mell falou sobre o caso que chocou a cidade de Bananal, no interior de São Paulo, em que um cavalo teve as patas cortadas pelo próprio dono no último sábado (16). O episódio ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre maus-tratos contra animais e a necessidade de punições mais severas.
Luisa se disse “horrorizada e exausta” diante de mais um caso extremo de crueldade e criticou a impunidade. “É revoltante ver crimes bárbaros assim ficarem praticamente sem punição. A gente tem leis, mas elas são frágeis e pouco aplicadas”, afirmou.
Atualmente, a legislação brasileira prevê pena de três meses a um ano de detenção para casos de maus-tratos envolvendo animais de grande porte, como cavalos, bois e burros. Trata-se da a Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais.
Segundo a ativista, essa é uma das maiores falhas: “A Lei trouxe avanços para cães e gatos, mas não conseguimos incluir todos os animais por causa da resistência da bancada ruralista. Isso precisa mudar”, defendeu.
Cultura, tradição e responsabilidade
Luisa também comentou sobre o contexto das cavalgadas, comuns em várias regiões do país. Para ela, o problema não está na tradição, mas na falta de consciência e cuidado:
“Ter um cavalo exige atenção especial, veterinário presente, alimentação adequada. Muitos tratam esses animais apenas como ferramentas e ignoram que eles também sentem dor e exaustão”, alertou.
A ativista citou ainda outros episódios semelhantes durante cavalgadas, como casos de cavalos exaustos que chegam a morrer no percurso: “Recebemos inúmeras denúncias. É urgente repensar essas práticas e regulamentar melhor o uso de animais em eventos”, reforçou.
Mudança de lei e pressão popular – Luisa Mell
Para Luisa Mell, o caso de Bananal pode ser um ponto de virada se houver mobilização social:
“Se a sociedade continuar indignada, a gente consegue pressionar os deputados. Eles têm de trabalhar para a população. Não dá para aceitar que quem corta as quatro patas de um animal saia da delegacia no mesmo dia”, disse.
A ativista defende que, além de penas mais severas, é preciso proibir que pessoas condenadas por maus-tratos continuem a ter ou trabalhar com animais: “É o mínimo. Quem comete um ato desses não pode voltar a explorar seres vivos”, declarou.
Como ajudar e adotar
Luisa também aproveitou a entrevista para convidar a população a apoiar o trabalho do Instituto Luisa Mell, que resgata e trata animais vítimas de abandono e maus-tratos. Neste domingo (24), haverá um evento de adoção a partir das 10h, na Cobasi, na Av. dos Autonomistas, 1828, em Osasco, na Grande São Paulo.
Para quem quiser contribuir, doações podem ser feitas pelo Instagram @institutoluisamelloficial ou pelo perfil pessoal da ativista, @luisamell. “Todo mundo pode ajudar um pouco, seja adotando, doando ou até compartilhando um post. É com união que a gente consegue fazer a diferença”, concluiu.
