
A atriz Klara Castanho, de 21 anos, publicou uma ‘carta aberta’ em suas redes sociais, na noite deste sábado (25) em que revela que foi vítima de estupro, tendo engravidado e decidido doar o bebê para adoção.
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A decisão de revelar o caso veio após ela atestar que teve o seu sigilo de privacidade desrespeitado por profissionais da saúde que deveriam privar pela sua dor, além de versões caluniosas começarem a circular pela mídia.
Klara disse que após o estupro se sentiu sozinha e culpada, e acabou não fazendo boletim de ocorrência.

Meses depois, ela começou a sentir mal-estar, e ao passar por consulta. Um médico chegou a sinalizar que poderia ser uma hérnia, mioma ou gastrite, até o momento em que, após uma tomografia, o exame foi interrompido imediatamente.
Foi nesse instante que chegou a informação de que ela estava grávida, quase no fim da gestação para sua surpresa, já que ela não teria percebido alterações no corpo, ganho de peso, ou mesmo alterações no ciclo menstrual.

Em sua carta, Karla desabafa sobre a falta de empatia do médico que a atendeu, depois que ela explicou ter sido vítima de estupro e que não sabia que estava grávida. Mesmo assim, o profissional ainda a fez ouvir o coração do bebê, dizendo que ela deveria amá-lo, sem se importar com o crime sofrido por ela.
A atriz segue explicando que fez todos os trâmites legais para conseguir aprovar o processo de doação do bebê, já que ficou comprovada a sua impossibilidade de oferecer o cuidado necessário para ele.

A atriz também revelou que no dia do parto, com ela ainda anestesiada, uma enfermeira chegou a ameaçá-la:
“imagine se tal colunista descobre essa história”.
Logo que chegou ao quarto, já havia mensagens de um colunista que teve o caso vazado e que gostaria de confirmar a gravidez. Klara explicou o caso ao colunista, que só não sabia do estupro.
Poucos dias depois, outro colunista entrou em contato com ela, comprovando assim a falta de ética por parte do hospital, conforme revelou a atriz.

“Tudo o que fiz foi pensando em resguardar a vida e o futuro da criança”
Klara Castanho encerrou o comunicado informando que ela está cuidando de sua saúde física e mental com o apoio da família, e pede a compreensão das pessoas para que possa manter a privacidade que o momento exige.
Entrega para doação
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante que mulheres que engravidaram e não podem ou não desejam ficar com os bebês possam fazer a entrega legal ou voluntária para adoção.
Para isso, é necessário que a mãe ou a gestante procure por postos de saúde, hospitais, conselhos tutelares ou qualquer órgão da rede de proteção à infância para manifestar o interesse.
Sendo assim, após a Vara da Infância e da Juventude receber o caso, a mulher passará a ser acompanhada por uma equipe técnica, além de contar com o apoio dos serviços de assistência social, jurídico e psicológico.
