
Após ser ouvido pela Justiça nesta quinta-feira (15), um homem acusado de agredir e manter a companheira em cárcere privado teve a prisão mantida. Ele seguirá preso preventivamente por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. O caso veio à tona após a vítima, uma jovem de 23 anos, conseguir pedir socorro por meio de um bilhete enviado à escola do filho, em Cachoeira Paulista.
A denúncia aconteceu no fim de abril, quando a mulher escreveu uma mensagem pedindo ajuda e colocou o bilhete na mochila do filho de cinco anos. Ao receber o recado, a direção da escola agiu rapidamente e acionou a polícia. O conteúdo da mensagem comoveu os profissionais:
“Querida diretora, preciso de sua ajuda. O pai do meu filho está me batendo muito. Tem como você me ajudar? Para o bem dos meus filhos, por favor. Estou com muito medo. Obrigada.”
Mesmo com a denúncia, o resgate da jovem não foi imediato. A polícia teve dificuldades para localizar a casa da família, que fica em uma área rural e de difícil acesso. Somente na quarta-feira (14), mais de 15 dias depois do alerta, os agentes conseguiram chegar ao local com a ajuda de um motorista da região. Ao encontrarem a vítima, confirmaram os relatos de agressão e mantiveram o agressor preso em flagrante.

Crueldade nas agressões – Segundo bilhete
Durante o depoimento à Polícia Civil, a jovem contou que vivia sob vigilância constante, sem acesso a telefone e impedida de sair de casa sozinha. Disse ainda que era agredida com frequência, e que o companheiro fazia ameaças de morte contra ela e também contra seus familiares, caso buscasse ajuda.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima apresentava marcas de agressões nos braços. Ela relatou, por exemplo, ter apanhado com uma vara de bambu no início de maio. Em outro momento, contou que o companheiro chegou a arrancar um tufo de cabelo, encontrado depois no carro da família. A jovem chegou a escrever um segundo bilhete, endereçado à irmã, mas não conseguiu entregá-lo, pois era constantemente vigiada.
Após o resgate, o agressor foi levado ao Instituto Médico Legal de Guaratinguetá para exame de corpo de delito e, em seguida, encaminhado para a cadeia de Lorena. Na audiência de custódia realizada nesta quinta-feira, a Justiça decidiu transformar a prisão em flagrante em preventiva, o que significa que ele permanecerá preso enquanto responde às acusações.