
Há cerca de dez anos, janeiro tornou-se, no Brasil, um mês dedicado à prevenção e ao cuidado com a saúde mental. Nos municípios, instituições públicas e privadas organizam campanhas alusivas ao tema para conscientizar as pessoas sobre a importância da valorização da vida.
Em entrevista ao programa CBN na Rede, o psicólogo Enéias Amorim, porta-voz da Instituição Francisca Júlia Saúde e Bem-estar Mental, chamou a atenção para a necessidade de as pessoas se conhecerem, a fim de identificar os primeiros sinais do adoecimento mental.
De acordo com o psicólogo, a criação de metas e expectativas é uma das principais causas do adoecimento mental, e saber estipular objetivos alcançáveis, conforme a sua necessidade e condição, é fundamental para evitar decepções. Por isso, a campanha sobre o cuidado e a prevenção ao adoecimento mental foi justamente pensada para ser discutida no primeiro mês de cada ano.
“O primeiro passo é saber o que eu posso oferecer a mim mesmo. Se, no ano de 2024, eu me propus a emagrecer 15 quilos, mas perdi apenas cinco, não significa que a meta não foi alcançada, mas que talvez ela precise ser continuada neste novo ciclo ou repensada. Um planejamento real é fundamental para não criar expectativas que muitas vezes podem não ser alcançáveis”, orientou.

Primeiros sinais do adoecimento mental
De acordo com Enéias, a depressão é antecedida por muitos sinais, e o autoconhecimento é fundamental para identificá-los: “Eu posso identificar em mim esses sinais a partir do momento em que eu me conheço. Estresse excessivo, tom de voz alterado e preocupações constantes podem, sim, ser alguns dos primeiros sinais do adoecimento mental. Sempre digo que o transtorno psiquiátrico é como uma represa que retém uma grande quantidade de água. Quando essa represa racha, essa água transborda para outras áreas da vida”, destacou.
Ansiedade e ambientes tóxicos
Ansiedade foi eleita a palavra do ano em 2024, segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Ideia. Não à toa, cada vez mais pessoas têm apresentado essa condição em diferentes fases da vida. Sobre o cuidado com as crianças, o especialista orienta que o diálogo e a preocupação com o meio em que se vive são fatores fundamentais para que as crianças aprendam a lidar com a ansiedade.
“Crianças aprendem pela força do ambiente, e ele contribui muito para o crescimento sadio. Organizar o ambiente em que a criança vive, criar rotinas, se importar com o cumprimento dos horários, bem como o diálogo, são ferramentas fundamentais para que, cada vez mais, saibamos lidar com os sentimentos de ansiedade e até mesmo com a frustração”, destacou.
A análise do ambiente em que estamos é fundamental, pois, de acordo com Enéias, o lugar pode, sim, contribuir para o adoecimento mental: “Muitas vezes, o ambiente é tóxico, agressivo e assediador. Mas precisamos saber identificar o que faz a pessoa permanecer naquela condição. Hoje, temos uma gama de ambientes e profissionais prontos para dar as devidas orientações e encaminhamentos para cada caso”, disse.
Sobre o fato de existirem duas campanhas por ano focadas na saúde mental (Janeiro Branco e Setembro Amarelo), o especialista explica que ambas possuem sua importância. Enquanto uma trabalha o preventivo, por meio da identificação dos sinais de adoecimento mental, a outra visa abordar a prevenção e o combate ao suicídio: “Discutir as duas campanhas é fundamental. Afinal de contas, nem todo mundo que possui algum problema mental vai pensar ou cometer suicídio, e muitas vezes, aquele que comete tal ato se permitiu sentir o adoecimento mental, agindo, na maioria das vezes, pela impulsividade”, explicou.
Enéias reforça a importância de as pessoas procurarem ajuda, seja por meio de unidades de apoio, como o Hospital Francisca Júlia Saúde e Bem-estar Mental, localizado na Estrada Dr. Bezerra de Menezes, nº 700, bairro Jardim Torrão de Ouro, em São José dos Campos, ou por meio do 188 do Centro de Valorização da Vida (CVV).
Assista a entrevista completa com o psicólogo Enéias Amorim exibida no programa CBN na Rede desta quinta-feira (23).
