Pesquisadores apontam risco de chuvas acima da média no Sul, seca no Norte e Nordeste e períodos de calor intenso no Sudeste e Centro-Oeste

O O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) apresentaram nesta terça-feira (15), em São José dos Campos, no interior de São Paulo, as perspectivas para o El Niño no Brasil em 2026. Os pesquisadores alertaram para possíveis mudanças na distribuição das chuvas, períodos de seca e eventos extremos, mas destacaram que os impactos ainda não podem ser previstos com precisão para cada região.
Segundo os especialistas, o fenômeno deve estar entre os mais fortes já registrados. Ainda assim, a intensidade do El Niño não permite afirmar que os efeitos serão iguais aos de eventos anteriores. O comportamento de outros oceanos e da atmosfera também interfere no clima brasileiro.
A tendência mais conhecida é de chuvas acima da média no Sul e condições mais secas no Norte e no Nordeste. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, os pesquisadores esperam maior alternância entre períodos de chuva intensa e ondas de calor.

Norte e Nordeste entram no radar
O Cemaden apontou preocupação com os níveis dos rios na Região Norte. Em agosto, diversos pontos apresentavam volumes abaixo do esperado, e a tendência indicada pelos pesquisadores era de piora nos próximos meses em algumas áreas.
No Nordeste, a situação dos reservatórios também exige atenção. Segundo os dados apresentados durante o encontro, 62% dos reservatórios monitorados tinham menos de 10% de água. Pernambuco foi citado como um dos estados que merecem acompanhamento especial.
Chuva intensa e calor também preocupam
No Sul, a expectativa é de períodos mais chuvosos, mas os pesquisadores ressaltaram que isso não significa necessariamente a repetição de eventos extremos registrados em anos anteriores, como os que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. O El Niño pode produzir efeitos diferentes dentro da própria região, segundos os especialistas.
No Sudeste e no Centro-Oeste, a preocupação envolve a alternância entre chuva intensa, com possibilidade de inundações, enxurradas e deslizamentos, e ondas de calor. O Cemaden destacou que o calor intenso também representa risco, principalmente para pessoas mais vulneráveis.

Previsões precisam ser atualizadas
Os pesquisadores reforçaram que a população e os meios de comunicação devem evitar atribuir qualquer evento climático ao El Niño. As previsões precisam considerar o período analisado e ser atualizadas conforme novos dados sejam incorporados aos modelos.
Para o Cemaden, a preparação também deve ser permanente. O centro mantém monitoramento 24 horas e emite alertas para inundações, enxurradas e movimentos de massa, como os deslizamentos.
Mudanças climáticas exigem planejamento
Além dos efeitos do El Niño em 2026, os pesquisadores destacaram uma tendência de longo prazo. Segundo eles, o Brasil caminha para um cenário com mais chuva no Sul, condições mais secas no Norte e Nordeste e temperaturas mais altas em todo o país.
Por isso, a orientação apresentada durante o encontro foi para que medidas de adaptação climática façam parte do planejamento de longo prazo, incluindo os planos diretores das cidades. Os especialistas também defenderam encontros periódicos para atualizar as informações sobre o clima e os riscos associados.
