
A Igreja Católica entrou em um período de nove dias de luto após a morte do Papa Francisco, na madrugada desta segunda-feira (21). Enquanto fiéis ao redor do mundo prestam homenagens, o Vaticano organiza os próximos passos, incluindo o funeral, que deve ocorrer entre o quarto e o sexto dia.
Além disso, esse momento marca o início de uma importante transição. O camerlengo, responsável pela administração da Santa Sé após a morte do papa, não só coordena as cerimônias fúnebres, mas também prepara o Conclave — a assembleia que elegerá o novo líder da Igreja.
Como funciona a eleição do novo papa? sucessão do Papa
O Conclave é um ritual antigo, cheio de tradição e sigilo, que remonta à Idade Média. Nele, até 120 cardeais com menos de 80 anos se reúnem na Capela Sistina, no Vaticano, para escolher o próximo pontífice. Durante todo o processo, eles ficam completamente isolados, sem acesso a TV, rádio, telefone ou internet. Até mesmo jornais são proibidos.
Embora existam mais de 250 cardeais no mundo, apenas os menores de 80 anos podem votar. Por isso, muitos deles, mesmo sendo bispos, não participam da eleição. Atualmente, 135 cardeais estão aptos a votar — um número maior que o habitual, que costuma ser de 120.

Da missa à fumaça branca: as etapas da escolha
Antes da primeira votação, os cardeais celebram uma missa na Basílica de São Pedro. Depois, seguem para a Capela Sistina, onde ouvem a ordem “extra omnes” (“todos fora”), marcando o início oficial do Conclave. Em seguida, as portas se fecham e o processo começa.
A votação pode ocorrer já no primeiro dia. Caso contrário, ela se inicia no segundo, com até quatro rodadas diárias: duas pela manhã e duas à tarde. Para vencer, um cardeal precisa de dois terços dos votos. Se ninguém atingir esse número nos primeiros dias, os cardeais fazem uma pausa para orações e reflexão antes de retomar as votações.
Os votos são escritos à mão, mas os cardeais devem disfarçar sua caligrafia para garantir o sigilo. Após cada rodada, as cédulas são queimadas, e a cor da fumaça que sai da chaminé indica o resultado: preta significa que ainda não há um papa eleito; branca anuncia o novo líder da Igreja.
Quem pode ser papa e como acontece a posse?
Embora, teoricamente, qualquer católico batizado possa ser escolhido, na prática o cargo sempre fica com um cardeal. Após a eleição, o escolhido é convidado a aceitar o posto. Se ele concordar, escolhe seu nome papal e veste as roupas oficiais.
Logo depois, os cardeais prestam homenagem ao novo papa, prometendo obediência. Finalmente, o anúncio é feito na sacada da Basílica de São Pedro, com a famosa frase “Habemus Papam” (“Temos um papa”). O pontífice então aparece diante da multidão, faz um breve discurso e concede a bênção urbi et orbi (“à cidade e ao mundo”).
Possíveis sucessores e o papel do Brasil – sucessão do papa
Entre os nomes mais cotados estão cardeais de diferentes países. Jean-Marc Aveline, da França, destaca-se por suas ideias próximas às de Francisco, enquanto Peter Erdo, da Hungria, representa uma linha mais conservadora. Outros candidatos incluem Mario Grech (Malta), Juan José Omella (Espanha), Pietro Parolin e Matteo Zuppi (Itália), Luis Antonio Tagle (Filipinas), Joseph Tobin (EUA) e Peter Turkson (Gana).
O Brasil terá sete cardeais votantes no Conclave: Jaime Spengler (Porto Alegre), João Braz de Aviz (Brasília), Leonardo Steiner (Manaus), Odilo Scherer (São Paulo), Orani Tempesta (Rio de Janeiro), Paulo Cezar Costa (Brasília) e Sérgio da Rocha (Salvador). Apenas Raymundo Damasceno, por ter mais de 80 anos, não participará.