
A Gerdau, líder nacional na produção de aço, anunciou nesta quarta-feira (14), a demissão de cerca de 100 funcionários em sua fábrica de aços especiais em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. A decisão foi tomada depois de um período de suspensão temporária dos contratos de trabalho (layoff), que não foi suficiente para reverter a crise que afeta o setor, de acordo com nota divulgada pela companhia.
Segundo a empresa, o motivo da redução de pessoal é a forte concorrência do aço importado da China, que entra no mercado brasileiro com preços muito inferiores aos praticados pela indústria nacional. A Gerdau e outras empresas do setor alegam que o aço chinês é subsidiado pelo governo daquele país e não respeita as normas ambientais e trabalhistas vigentes no Brasil.
Para enfrentar essa situação, a Gerdau defende a implantação de uma tarifa emergencial de 25% sobre as importações de aços. A medida, segundo a empresa, visa garantir a sustentabilidade de suas operações e do setor do aço nacional, que emprega mais de 3 milhões de pessoas em todo o país.
Risco de mais demissões – Gerdau demite
A tarifa emergencial é uma reivindicação de entidades que representam as principais siderúrgicas do país, como o Instituto Aço Brasil. Os representantes afirmam que o aço chinês representa uma ameaça à indústria nacional, que já sofre com a baixa demanda interna, a alta carga tributária e os custos de energia.
Para as empresas do setor de aço, a expectativa é que o governo federal atenda as reivindicações e adote a tarifa emergencial o mais rápido possível. Caso contrário, as empresas alertam que outras demissões podem ocorrer no setor, comprometendo o desenvolvimento econômico e social do país.
Nota oficial da Gerdau
“A Gerdau, maior empresa brasileira de aço, informa que nesta quarta-feira, 14/02, efetuou o desligamento de cerca de 100 colaboradores (as) em sua unidade de aços especiais em Pindamonhangaba (SP). A medida ocorre após o período de layoff promovido pela companhia, e segue o reflexo do cenário desafiador enfrentado pelo mercado brasileiro frente às condições predatórias de importação de aço chinês. A companhia reforça a urgência na adoção de uma tarifa emergencial de 25% sobre as importações de aço para assegurar a sustentabilidade de suas operações e do setor do aço nacional, bem como a manutenção dos empregos de mais de 3 milhões de trabalhadores que atuam na indústria em todo o País.”
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O que diz o Sindicato
O sindicato que representa os trabalhadores da Gerdau informou, por meio de nota, que havia negociado com a empresa um acordo de layoff com duração de 5 meses. No entanto, em uma última reunião, não havia a garantia da Gerdau em renovar o acordo. Agora, um protesto não está descartado.
Nota – Demissões Gerdau
“O Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba informa que tem negociações com a direção da Gerdau de Pindamonhangaba sobre a queda na produção há um ano.
Nas primeiras reuniões, a empresa afirmava que o excedente de mão de obra era de 400 funcionários. Inicialmente, foi possível administrar a baixa demanda no setor de Construção Mecânica com o acordo de banco de horas firmado com o Sindicato e férias individuais.
Após isso foi negociado um acordo de layoff, com duração de 5 meses, que se encerrou nesta quarta-feira, dia 14 de fevereiro. Inicialmente o layoff era para 220 funcionários, foi possível reduzir para 178, e com condições favoráveis para os trabalhadores.
Na última reunião, a empresa havia sinalizado que não seria possível fazer a renovação do acordo de layoff, apesar da insistência do Sindicato, mas não estava definido número de demissões. O Sindicato estava acompanhando o retorno dos trabalhadores do layoff quando foi surpreendido com o volume de demissões.
O Gecex-Camex, órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Governo Federal, já realizou duas alterações na taxa de importação do aço para inibir a entrada de produtos vindos da China. Contudo, a direção da Gerdau continua pressionando para ter taxas ainda mais favoráveis ao seu negócio e realizando ameaças de demissão, mesmo que seus relatórios financeiros demonstrem que a empresa “sustentou níveis saudáveis de rentabilidade”.
Um protesto na empresa não está descartado.
A Gerdau emprega cerca de 2.600 trabalhadores e atua no ramo do aço com foco no ramo automotivo”
