
A família do jornalista Vladimir Herzog, morto durante a repressão no período da ditadura militar, manifestou-se contra o desejo do governo de São Paulo de transformar a Escola Estadual Jornalista Vladimir Herzog, em São Bernardo do Campo, em uma escola cívico-militar. Em nota, eles deixaram claro seu repúdio à proposta do governador Tarcísio de Freitas.
“Lugar de militar é nos quartéis, não nas escolas. A família Herzog protesta fortemente em relação ao projeto de tornar a Escola Estadual Jornalista Vladimir Herzog uma escola cívico-militar. Caso o projeto caminhe, iremos tomar as medidas cabíveis para que o nome do meu pai não se associe a esta atrocidade”, declarou a família em uma rede social.
Vladimir Herzog foi um jornalista, professor e cineasta que se tornou um símbolo de resistência contra a ditadura militar no Brasil. Em 1975, foi convocado para depor no DOI-CODI, uma das principais organizações de repressão da época. No dia seguinte, foi anunciado que Herzog havia cometido suicídio em sua cela, mas a versão oficial foi amplamente contestada. Evidências de tortura e inconsistências nas fotos divulgadas indicavam que sua morte havia sido resultado de violência brutal, gerando grande comoção e protestos públicos.
Estado é condenado – Família de Vladimir Herzog
O caso Herzog foi um marco na luta contra a repressão e a censura, mobilizando intelectuais, jornalistas, estudantes e a Igreja Católica. Em 2013, a Comissão Nacional da Verdade concluiu oficialmente que Vladimir Herzog foi morto sob tortura, e o Estado brasileiro reconheceu sua responsabilidade.
Recentemente, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania publicou a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que responsabilizou o Estado brasileiro pela detenção, tortura e assassinato de Herzog. A decisão também condenou a falta de investigação e punição dos responsáveis, e recomendou uma investigação judicial completa e imparcial dos fatos.
A família Herzog destaca a importância de manter o legado de Vladimir Herzog intocado por iniciativas que possam deturpar sua memória. “Dentro da temática de educação, Vladimir Herzog e militares são corpos que não se misturam. Pedimos ao Sr. governador que reconsidere este projeto para esta escola ou busque outro nome para a mesma”, afirmaram.