Falecimento de Maria Luiza Santos, ícone da cultura popular de Taubaté, gera comoção

Foto: Divulgação

Taubaté perdeu, neste fim de semana, uma de suas figuras mais emblemáticas da cultura popular. Maria Luiza Santos Vieira, de 95 anos, faleceu deixando um legado de quase nove décadas dedicadas à arte das figureiras — tradição artesanal que integra o patrimônio imaterial do município.

Maria Luiza iniciou sua trajetória como figureira aos 7 anos de idade, tornando-se referência nesse ofício transmitido de geração em geração. Ao longo de 88 anos de atuação, suas peças em barro, moldadas e pintadas à mão, ajudaram a manter viva uma das expressões culturais mais reconhecidas da cidade.

Entre suas contribuições mais marcantes, está a participação na criação da tradicional Festa do Folclore da Rua Imaculada, evento que reúne artesãos, músicos e grupos folclóricos para celebrar a identidade cultural taubateana. A festa, que se tornou um símbolo de resistência e preservação das tradições locais, teve em Maria Luiza uma das suas principais impulsionadoras.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconhece o ofício das figureiras como patrimônio cultural, reforçando a importância de artesãs como Maria Luiza na manutenção desse saber. Especialistas apontam que sua dedicação ajudou a formar novas gerações de artesãos e a projetar o trabalho das figureiras para além das fronteiras da cidade.

A Prefeitura lamentou a perda e destacou, em nota oficial, o impacto de sua atuação para a memória e a cultura de Taubaté, prestando solidariedade a familiares e amigos.

O velório foi marcado pela presença de admiradores, representantes culturais e moradores que reconhecem a importância de sua obra. Para muitos, Maria Luiza não apenas moldou figuras de barro, mas também ajudou a moldar a própria identidade cultural taubateana, deixando um legado que seguirá inspirando artistas e preservadores da tradição.