
O ex-prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSD) confirmou que teve conversas com Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre uma possível aliança entre as siglas. Ambos são pré-candidatos ao governo de São Paulo, e na semana passada, surgiu a informação de que o PSD teria indicado Felicio para ser o vice de Tarcísio.
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Felicio Ramuth foi o entrevistado do Jornal CBN Vale 1ª Edição, nesta segunda-feira (27), e não descartou formar chapa com outros partidos caso isso traga benefícios para o estado.
Segundo Felicio, sua saída da prefeitura teve o objetivo de fazer mudanças na política estadual, já que o atual governo não teria investido nas prioridades certas para a melhoria dos cidadãos.
Felicio confirmou que já teve conversas com vários partidos e pré-candidatos ao governo para eventuais alianças, como Márcio França (PSB), Elvis Cezar (PDT) e também Tarcísio de Freitas (Republicanos), e que irá continuar conversando com as siglas, não descartando a possibilidade de se unir com uma delas, caso entenda que a mudança traga os benefícios que o estado tanto necessita.
“Meu objetivo é esse, mudar a gestão do estado de São Paulo”
Porém, neste momento, o ex-prefeito garante que continua sua trajetória como pré-candidato.
Ex-prefeito fala sobre aumento dos combustíveis
‘Insignificante”, essa é a expectativa de Ramuth em relação ao resultado esperado com a redução do ICMS, anunciada pelo governador Rodrigo Garcia (PSDB) nesta segunda-feira (27).
O governo de São Paulo anunciou a redução de 25% para 18% no ICMS cobrado nos combustíveis, em medida alinhada à resolução aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na última semana.
Para Felicio, a velocidade da aprovação da redução do imposto mostra que o Congresso tem condições de aprovar medidas importantes, mas que não o fazem regularmente, como a criação de um imposto único, ou mesmo uma reforma administrativa.
Saúde
“Abandono geral”, é essa a avaliação que o ex-prefeito de SJC fez em relação à gestão do governo João Doria e Rodrigo Garcia, com relação à área da saúde no estado de São Paulo.
Exemplo apontado por Felicio, é a fila de três mil pessoas para o recebimento de aparelho auditivo, somente em São José dos Campos, e de cerca de 50 mil em todo o estado. Além disso, também houve interrupção na distribuição de cadeiras com rodas, algo que apenas alguns municípios com recursos em caixa puderam manter, como São José.
Já o Centro de Reabilitação Lucy Montoro, é um local que disponibiliza serviços de excelência, mas com menor número de profissionais em um prédio de grande porte, com equipamentos ociosos. Nesse caso, o pré-candidato reforça a importância de contratação de mais funcionários para garantir um maior e melhor atendimento à população.
Outros hospitais da região também estão ociosos, de acordo com Felicio, como os Hospitais Regionais de SJC e Caraguatatuba, além da falta de medicamentos de alto custo nas secretarias municipais, algo que é de responsabilidade do estado, mas que hoje oferece um “procedimento arcaico feito ainda em papel e caneta”, que deveria ser informatizado para evitar a constante falta de produtos.
Aborto
O ex-prefeito também comentou temas polêmicos, como o aborto no Brasil, em especial, o caso ocorrido nos últimos dias, em que uma garota de 11 anos ficou grávida após ter sido estuprada. Felicio disse ser a favor da vida, que nesse caso estaria comprometendo seriamente a vida da gestante.
Porém, concorda que há leis que dão direito à mulher de fazer o aborto legal, algo que foi negado à essa vítima por decisão de uma juíza de Santa Catarina. No final, a garota finalmente conseguiu fazer o aborto com apoio do Ministério Público.
Ativismo judiciário?
Felicio Ramuth falou sobre o caso que segue na justiça de Praia Grande (SP) e que envolve seu nome em um suposto caso de improbidade administrativa, ocorrido entre 2014 e 2016, em três licitações realizadas pela Prefeitura de Praia Grande, que era governada pelo PSDB – mesmo partido de Felicio à época.
De acordo com a Promotoria, ao menos em duas das licitações, apenas as empresas CSJ e a Direct participaram, sendo que ambas têm ligações com Ramuth. Em outra licitação, somente a CSJ apresentou proposta. O MP considera que a Prefeitura de Praia Grande deveria ter convidado, no mínimo, três empresas para participar dos certames.
Em 2019 a justiça recebeu a denúncia, mas entendeu procedentes as alegações de Felicio Ramuth e a empresa Direct e retirou ambos da denúncia. Porém, ao analisar o recurso do MP, a relatora do processo no TJ, a desembargadora Flora Maria Nesi Tossi Silva, entendeu que a denúncia merece ser acolhida.
Para Ramuth, o caso já estava resolvido, e que em sua opinião, a magistrada não interpretou a lei de forma correta.
Outro caso criticado por ele, envolve uma nova audiência agendada para esta terça-feira (28) referente ao Arco da Inovação, construído em sua gestão como prefeito.
Também considerado como fato superado, Felicio diz que a obra é um grande orgulho para os joseenses e que passou a ser um cartão postal da cidade.
Cracolândia
Resolver o problema da Cracolândia não é fácil e rápido, na avaliação de Felicio, que entende que é preciso envolver diversas entidades como igrejas, áreas sociais, Ministério Público, Defensoria Pública, “como se fosse uma São José Unida”, alinhando ideias e procedimentos para juntos definirem ações integradas para o atendimento desse público.
Ramuth criticou as autoridades que hoje não possuem cadastros de pessoas com dependência química, em especial, na área da Cracolândia, que segundo ele, cerca de 30% de seus frequentadores não têm condições de tomar suas próprias decisões, o que seria necessário promover internações compulsórias.
