
O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, demonstrou preocupação com as tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos, que vêm afetando diretamente o setor aeroespacial. Segundo ele, a manutenção das medidas pode provocar atrasos na produção e até cancelamentos de pedidos no médio prazo.
A declaração foi feita em entrevista à Bloomberg Television, no último dia 26 de outubro, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizada na Malásia. Gomes Neto afirmou que, por enquanto, não houve cancelamentos, mas alertou que a situação pode mudar se as tarifas forem mantidas.
“Não temos nenhum problema de cancelamento neste momento, mas no médio prazo isso pode acontecer. A tarifa zero é importante, porque se fabricarmos menos aeronaves, compraremos menos equipamentos dos EUA”, afirmou o executivo.
A tarifa de 10% sobre as exportações aeroespaciais brasileiras representa um aumento aproximado de US$ 2 milhões por aeronave, o que pode gerar um impacto de até US$ 80 milhões por ano nas operações da fabricante.
Negociações com governo Trump prosseguem
A Embraer está em negociação com as autoridades americanas para tentar reverter a cobrança, que foi imposta ainda durante o governo de Donald Trump. O objetivo é obter condições comerciais semelhantes às já aplicadas em países como Reino Unido, Japão e membros da União Europeia.
O executivo destacou também a relevância da empresa brasileira para a economia americana. A Embraer mantém 12 mil empregos nos Estados Unidos, sendo 2 mil diretos e 10 mil indiretos, além de uma frota de cerca de 2 mil aeronaves em operação por companhias locais.
Nos próximos cinco anos, a expectativa é de US$ 21 bilhões em compras de componentes de fornecedores americanos e R$ 13 bilhões (US$ 2,4 bilhões) em novos investimentos no mercado dos Estados Unidos.
Mesmo com os desafios, Gomes Neto disse que a Embraer segue com um plano robusto de expansão e mantém uma carteira de US$ 31 bilhões em pedidos, o maior volume registrado pela empresa nos últimos nove anos.