Em Jacareí, Lula defende reforço da defesa das fronteiras e alerta para “loucos no mundo querendo guerra”

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta-feira (24) o fortalecimento da capacidade de defesa do Brasil e afirmou que o país precisa estar preparado para proteger o território e as riquezas nacionais diante de um cenário internacional marcado por conflitos e tensões.

O presidente esteve na unidade da Avibras Aeroespacial, em Jacareí (SP), empresa brasileira que atua no desenvolvimento de tecnologias para os setores de defesa e espaço, incluindo mísseis, foguetes e veículos espaciais. Os equipamentos produzidos pela companhia atendem às Forças Armadas brasileiras e também são exportados para outros países. Essa é a quarta visita de Lula ao Vale do Paraíba em seu atual mandato e a segunda visita em menos de 15 dias.

Foto: CBN Vale / Marcelo Rocha

Proteção das defesas

Segundo ele, embora o Brasil não queira guerras, não pode deixar de investir na proteção de suas fronteiras e de seus recursos estratégicos.

“Não queremos guerra. Mas queremos um país altamente preparado para defender a sua soberania”, afirmou Lula.

O presidente destacou a extensão do território brasileiro e a dimensão das fronteiras terrestres e marítimas. Para ele, a defesa nacional precisa considerar não apenas as áreas de fronteira, mas também as riquezas existentes no subsolo e no mar.

“Nós temos 16.800 quilômetros de fronteira seca”, disse.

Na avaliação do presidente, a proteção desses espaços deve ser uma prioridade do Estado brasileiro. “Se a gente não se cuida, quem vai cuidar de nós? Se a gente não toma conta da nossa fronteira, quem vai tomar conta de nós?”, questionou.

Reservas e minerais críticos

Ao defender investimentos na indústria nacional de defesa, Lula citou ainda o petróleo localizado em águas profundas e os minerais considerados estratégicos para a economia e para o desenvolvimento tecnológico.

“O nosso petróleo está além das 300 milhas. E quem vai tomar conta disso? Quem vai tomar conta da riqueza que a gente não sabe que tem ainda no fundo do mar? Quem vai tomar conta da riqueza que representa nossas terras-raras e os nossos minerais críticos?”, declarou.

O presidente afirmou que o Brasil precisa desenvolver capacidade própria para proteger seus interesses e reduzir a dependência de outros países em áreas estratégicas. Para Lula, o fortalecimento da indústria de defesa também representa uma forma de preservar a soberania nacional e estimular o desenvolvimento tecnológico.

Foto: CBN Vale / Marcelo Rocha | Lula e Weller Gonçalves (SindmetalSjc)

“Loucos querendo guerra”

Em outro momento, o presidente criticou o cenário internacional e afirmou que existem líderes e grupos interessados em ampliar conflitos. “Há loucos pelo mundo querendo fazer guerra”, disse.

Lula afirmou que o Brasil não deve adotar uma postura de confronto, mas precisa estar preparado para proteger seu território. “A gente não quer guerra, a gente não quer briga. Mas também não pode ser um país despreparado”, declarou.

Para o presidente, a preparação do país deve ocorrer por meio do desenvolvimento de tecnologia, da valorização da indústria brasileira e da capacidade de produzir equipamentos estratégicos. “A defesa é uma questão de soberania”, afirmou.

Lula também criticou a lógica de países que ampliam investimentos em armamentos enquanto enfrentam problemas sociais e econômicos. Na avaliação dele, o mundo deveria priorizar a cooperação e o desenvolvimento, mas a realidade internacional exige que o Brasil mantenha capacidade de proteção de suas fronteiras e de suas riquezas.

“Não queremos guerra. Mas não podemos ficar de braços cruzados esperando que alguém venha tomar conta daquilo que é nosso”, afirmou.

As declarações foram feitas durante agenda do presidente em Jacareí, no Vale do Paraíba, onde ele participou de compromissos relacionados à ciência, tecnologia e à indústria brasileira. O discurso ocorreu em um momento de defesa da ampliação da capacidade nacional em setores considerados estratégicos, como defesa, energia, tecnologia e exploração de recursos naturais.

A cerimônia reuniu o vice-presidente, Geraldo Alckmin; o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; além de representantes da empresa, das Forças Armadas e dos trabalhadores.

O empresário Joesley Batista também esteve na fábrica, mas não participou da mesa de autoridades durante a cerimônia.