
De janeiro a junho de 2022, a EDP, distribuidora de energia elétrica do Vale do Paraíba, registrou aumento de 80% no número de fraudes, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Conhecidas popularmente como “gatos”, estas ligações clandestinas expõem o responsável e toda comunidade a sérios riscos, como choques elétricos, curto circuitos e até incêndios.
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Nos primeiros seis meses deste ano foram identificadas 3.386 irregularidades de energia em residências, comércios e indústrias da região. No ano passado, neste mesmo período, foram 1.879 ligações clandestinas. A energia recuperada pela EDP neste ano – 17,3 mil megawatts-hora (MWh) – é suficiente, por exemplo, para abastecer a cidade de Aparecida por três meses.
A tecnologia é parte essencial no trabalho de combate às fraudes. Através do monitoramento remoto e de ferramentas de modelagem estatística, a companhia identifica as inconsistências na medição dos clientes, com alertas e mapeamento de suspeita de irregularidades e dessa forma realiza inspeções em campo em toda área de concessão, com equipes especializadas.
A cada quatro inspeções realizadas no Vale do Paraíba é detectada pelo menos uma irregularidade na medição. Após o flagrante, o responsável pelo local é convidado a participar da apuração da energia furtada junto dos técnicos especialistas da empresa e, conforme regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), é realizada a cobrança de todo o valor não faturado durante o período do furto. O Artigo 155 do Código Penal Brasileiro prevê que o furto de energia é crime passível de multa e prisão de um a quatro anos.
Risco à vida
Tentar mexer na rede de energia é perigoso e pode levar a pessoa à morte. Por este motivo, a EDP orienta a população a nunca se aproximar da rede de distribuição, em qualquer situação.
De acordo com a Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia (Abradee) a ligação clandestina é quarta maior causa de morte no país relacionada à energia elétrica.
Por este motivo, a EDP mantém uma campanha de conscientização durante todo ano para que ninguém mexa na rede elétrica em qualquer circunstância. A EDP realiza projetos com as comunidades e escolas dos municípios onde a concessionária atua.
“Gatos” deixam energia mais cara
Os “gatos”, além de perigoso, contribui para tornar a conta de luz mais cara para todos os consumidores, uma vez que a quantidade de energia perdida por fraude e os custos para identificar e coibir as irregularidades são levados em consideração pela Aneel para estabelecer o valor da tarifa de energia para cada área de concessão.
O Estado de São Paulo também é prejudicado, já que deixa de arrecadar o Imposto sobre Comercio e Serviço (ICMS), cobrado na conta de luz, que poderia ser utilizado em benefícios à própria população.
Além do impacto financeiro, os furtos e fraudes de energia pioram a qualidade do serviço prestado, prejudicando todos os consumidores. As ligações clandestinas sobrecarregam as redes elétricas, deixando o sistema de distribuição mais suscetível a interrupções e oscilações no fornecimento de energia.
