Desmatamento no Brasil atinge o menor patamar da série histórica, aponta o Inpe

SP registra o menor número de desmatamento na Mata Atlântica e no Cerrado em cinco anos
(Divulgação/Governo de SP)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentou nesta semana um novo balanço do desmatamento no Brasil, consolidando dados do Prodes — o sistema oficial que mede a taxa anual de supressão de vegetação nativa — e do Deter, sistema de monitoramento rápido usado para orientar ações de fiscalização em campo. O resultado, segundo o órgão, é o menor índice de desmatamento de toda a série histórica no país.

Considerando o conjunto dos biomas brasileiros, o desmatamento caiu mais de 20% em relação ao período anterior, o menor valor já registrado desde 2016, quando teve início a série histórica consolidada. O resultado marca a segunda queda seguida no acumulado nacional.

Biomas apresentam trajetórias distintas

  • Caatinga — Depois de três altas consecutivas, o bioma já registra duas quedas seguidas, o que, segundo o Inpe, indica uma reversão de tendência mais consistente, e não um resultado pontual;

  • Mata Atlântica — O bioma, que já apresenta um histórico de desmatamento acumulado elevado, teve queda de 15% no período, com 400 km² de vegetação nativa suprimida;

  • Amazônia — Os dados já haviam sido antecipados no ano passado, antes da COP: uma redução de cerca de 15% a 16%, com um total superior a 5 mil km² desmatados no período;

  • Cerrado — A taxa recuou 11% em relação ao período anterior. O dado ganha relevância porque o bioma vinha de quatro altas seguidas antes de iniciar a atual sequência de reduções — a segunda queda consecutiva registrada no Cerrado;

  • Pantanal — O bioma registrou a queda mais expressiva entre todos: 65% de redução no desmatamento. Em 2024, o Pantanal havia sido fortemente impactado pelos grandes incêndios florestais, que provocaram alta na supressão de vegetação no período anterior.
Com presença de ministros, INPE divulga nesta sexta (7) dados do desmatamento no Brasil
Foto: Divulgação / INPE

Deter: monitoramento mais recente mostra novas quedas na Amazônia e no Cerrado

Além dos dados consolidados do Prodes, o Inpe apresentou os números mais recentes do Deter, sistema criado para o monitoramento rápido do desmatamento, que permite aos órgãos de fiscalização — como o Ibama — direcionar equipes de campo com mais agilidade.

Diferentemente do Prodes, que fornece o dado oficial e mais preciso, o Deter funciona como um alerta de curto prazo, hoje aplicado aos dois biomas com maior expansão de desmatamento no país.
Amazônia —

O Deter apontou queda de 36,9% no período entre agosto de 2025 e julho de 2026, novamente o menor valor da série histórica desde 2016. Foram 2.874 km² de área sob alerta de desmatamento. A maior parte da supressão está concentrada em propriedades privadas, mas 22% das áreas não têm informação disponível sobre sua situação fundiária.

Cerrado — O bioma também apresentou queda, de 7,8% em relação ao ano anterior, somando 5.119 km². É a segunda redução seguida medida pelo Deter no Cerrado, que também vinha de uma sucessão de altas.

Ao contrário da Amazônia, a maior parte do desmatamento no Cerrado ocorre em propriedades privadas, enquanto as áreas de floresta pública respondem por apenas 14% do total.

Avanço da fiscalização

Representantes do Inpe destacaram que os resultados refletem não apenas a redução numérica do desmatamento, mas também o avanço na capacidade de monitoramento desenvolvida pelo instituto ao longo dos últimos anos, que tem permitido dados cada vez mais rápidos e precisos para orientar as ações de fiscalização ambiental no país.