Com salário de R$ 117 mil, magistrada se diz triste e que pode entrar em “regime de escravidão”

Com salário de R$ 117 mil, magistrada se diz triste e que pode entrar em "regime de escravidão"
Foto: Divulgação

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, vem recebendo críticas após afirmar que magistrados podem viver um regime de escravidão diante das mudanças nas regras de benefícios da categoria. A declaração ocorreu durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal, realizada em 9 de abril.

Segundo a magistrada, a situação financeira da categoria é “muito triste” e pode piorar. “Daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse. Além disso, ela afirmou que juízes podem não conseguir “pagar as contas” no futuro.

A fala ocorreu após decisão do Supremo Tribunal Federal que definiu limites para o pagamento de verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”. Por isso, benefícios extras passaram a seguir regras mais rígidas e maior controle.

Durante a sessão, a desembargadora também criticou a imagem da magistratura. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos”, afirmou. Segundo ela, há uma percepção negativa sobre a categoria, apesar da carga de trabalho.

De acordo com o Portal da Transparência, a magistrada recebeu R$ 117.863,72 brutos em março de 2026. Após descontos, o valor líquido foi de R$ 91.211,82. O posicionamento oficial da desembargadora sobre a repercussão ainda não foi divulgado.

As declarações ocorreram antes do julgamento de processos em sessão que durou cerca de 3h. Agora, o tema segue em debate após a decisão do STF sobre regras e limites de benefícios no serviço público.