
O novo caça F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou, nesta quarta-feira (19/11), seu primeiro voo em território nacional, após ser desembarcado em Navegantes (SC) e seguir em direção à Base Aérea de Anápolis (GO), onde passa a integrar o Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA). A decolagem ocorreu poucos dias depois de a aeronave chegar ao país por transporte marítimo, vinda da Suécia.
O trajeto teve aproximadamente 1,2 mil quilômetros e durou pouco mais de uma hora. O voo foi conduzido pelo Major Aviador Thiago Henrique da Costa Camargo, do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), sediado em São José dos Campos. Segundo ele, a missão exigiu um planejamento detalhado, já que o caça foi testado enquanto realizava o deslocamento. Dessa forma, as equipes puderam avaliar o comportamento dos sistemas e os avisos enviados ao piloto.

Tecnologia reduz esforço e amplia consciência situacional
O Major Thiago explica que o Gripen possui uma interface que facilita o trabalho do piloto, diminuindo a carga operacional e permitindo maior foco no gerenciamento de missão. Assim, a pilotagem se torna menos complexa, enquanto a aeronave fornece informações constantes ao operador. Isso aumenta a consciência situacional e ajuda a otimizar o uso dos equipamentos embarcados.
No IPEV, os pilotos dedicam-se a voos de ensaio, o que inclui testar sistemas e entregar às unidades aéreas aeronaves preparadas para uso operacional. Para o militar, participar da transferência do novo Gripen evidencia o reconhecimento do trabalho técnico realizado no instituto.

Operação envolve múltiplas unidades e reforça indústria brasileira
Com a chegada do Gripen FAB 4111 a Anápolis, a Operação Navegantes foi finalizada sob coordenação da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC). O Major-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani afirma que o programa FX-2 demonstra evolução consistente e fortalece o planejamento de defesa aérea do país.
O processo de incorporação de cada aeronave envolve várias áreas da FAB e parceiros industriais. Com esse novo caça, o Brasil passa a contar com 10 Gripen em operação, enquanto outra unidade permanece em ensaios em Gavião Peixoto (SP). Além de ampliar a capacidade militar, o projeto representa um avanço tecnológico para o país, já que inclui transferência de conhecimento e produção nacional dos primeiros modelos.
Segundo Bellintani, o Brasil está entre os poucos países com domínio dessa tecnologia, o que gera impacto direto na indústria de defesa, com novos empregos, qualificação de profissionais e fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID).
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