
A detecção de metanol em bebidas adulteradas, responsável por dezenas de casos de intoxicação no país, está sendo reforçada por pesquisas desenvolvidas em universidades públicas brasileiras. O Ministério da Saúde confirmou, nesta sexta-feira (3), 113 registros de possível contaminação por metanol, sendo 11 casos confirmados e 102 ainda em investigação.
Sem cheiro ou gosto que o diferencie do álcool comum, o metanol só pode ser identificado por meio de análises laboratoriais. Para ampliar o acesso à população, o Laboratório Multiusuário de Ressonância Magnética Nuclear da Universidade Federal do Paraná (UFPR) passou a oferecer testes gratuitos. O exame utiliza poucas gotas da bebida e fornece o resultado em cerca de cinco minutos. De acordo com o professor de química Kahlil Salome, vice-coordenador do laboratório, o procedimento é simples.
“Colocamos o líquido em um tubo, e o equipamento devolve um gráfico que indica se há metanol. É uma análise rápida e precisa”, explicou.
Outra frente de pesquisa vem da Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde cientistas do Instituto de Química de Araraquara desenvolveram e patentearam um método que muda a coloração da amostra caso haja presença de metanol. O processo leva aproximadamente 15 minutos e é aplicado em bebidas como cachaça, vodka e tequila.
A Universidade de Brasília (UnB) também transformou um estudo acadêmico em solução prática. Um projeto iniciado em 2013 deu origem à empresa Macofren, que comercializa kits de detecção para instituições públicas e privadas. Cada teste custa cerca de R$ 25 e pode ser feito com apenas 1 ml da bebida. Segundo o fundador, Arilson Onésio Ferreira, a demanda aumentou significativamente nas últimas semanas, com mais de 200 empresas na fila de espera.
Os pesquisadores reforçam o alerta: a ingestão de 30 mililitros de metanol pode ser fatal. Por isso, orientam que os consumidores evitem bebidas de origem duvidosa e procurem ajuda médica imediata em caso de sintomas de intoxicação, como náusea, tontura e visão turva.