
A cesta básica registrou a quinta alta consecutiva no Vale do Paraíba em junho e passou a comprometer, em média, 36,9% da renda das famílias da região. Segundo levantamento do Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (Nupes) da Universidade de Taubaté (Unitau), o valor médio da cesta básica subiu de R$ 2.936,31 em maio para R$ 2.990,52 em junho, aumento de 1,85%, o maior registrado em 2026 até agora, e acréscimo de R$ 54,21 no orçamento mensal.
De acordo com o estudo, o resultado representa o maior avanço mensal desde fevereiro de 2025 e indica continuidade da pressão dos preços sobre o custo de vida. Além disso, como não houve reajuste do salário mínimo no período, a alta reduziu a parcela da renda disponível para despesas como saúde, transporte e educação. O comprometimento médio da renda passou de 36,23% em maio para 36,90% em junho.
Diferenças entre cidades
Todos os municípios pesquisados apresentaram aumento no preço da cesta básica em junho. Campos do Jordão registrou a maior alta mensal, de 2,23%, e manteve a cesta mais cara da região, com custo de R$ 3.193,38. Já Taubaté teve o menor valor, de R$ 2.912,67, apesar de avanço de 1,71% no mês. A diferença entre os dois municípios alcançou R$ 280,71. Caçapava apresentou a menor variação, com elevação de 1,45%, enquanto São José dos Campos registrou alta de 1,96%.
No acumulado de 12 meses, a cesta básica do Vale do Paraíba ficou 3,77% mais cara, o equivalente a um aumento de R$ 108,72. Segundo os pesquisadores, fatores climáticos, redução da oferta de alimentos e custos logísticos contribuíram para o encarecimento observado desde o início do ano.
Produtos que mais subiram
Os alimentos continuaram sendo os principais responsáveis pela elevação dos custos, com participação de 90,34% no valor total da cesta e aumento de 2,03% em junho. Os itens de higiene pessoal tiveram alta de 0,41%, enquanto os produtos de limpeza doméstica apresentaram leve queda de 0,18%.
Entre os produtos com maiores aumentos na região, destacaram-se mamão formosa (18,19%), abobrinha (13,32%), feijão carioquinha (9,26%), alho (9,03%) e banana nanica (8,07%). Por outro lado, alguns itens ficaram mais baratos, como tomate (-5,67%), açúcar refinado (-5,08%), alcatra bovina (-4,87%), bisteca suína (-4,04%) e óleo de soja (-3,63%). Segundo o Nupes, fatores como entressafra, menor oferta de hortaliças no inverno e custos de transporte continuam influenciando os preços dos alimentos.
O levantamento é realizado quinzenalmente em 16 supermercados de Taubaté, São José dos Campos, Caçapava e Campos do Jordão. A pesquisa considera uma cesta composta por 44 produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica destinada a uma família de cinco pessoas.
